JBS busca controle total da Pilgrim’s Pride para aprofundar expansão nos EUA
A JBS apresentou proposta não vinculante para adquirir os cerca de 18% da Pilgrim’s Pride que ainda não possui. A operação prolongaria uma estratégia de aquisições que criou nos Estados Unidos uma plataforma diversificada em carne bovina, suína, frango e alimentos preparados.
Proposta abrange ações restantes da Pilgrim’s Pride
A JBS apresentou uma proposta não vinculante para adquirir as ações da Pilgrim’s Pride que ainda não controla, segundo a Veja. O grupo brasileiro de carnes possui aproximadamente 82% da companhia americana. Se a transação for concluída, a JBS passará a deter integralmente uma de suas principais plataformas de aves, e as ações da Pilgrim’s Pride serão retiradas da Nasdaq.
Pela proposta, os acionistas da Pilgrim’s Pride não vinculados à JBS receberiam 2,086 ações ordinárias Classe A da JBS por ação da Pilgrim’s Pride. Com base nos preços de fechamento de 18 de agosto — US$ 13,66 para a JBS e US$ 28,49 para a Pilgrim’s Pride —, a relação de troca representava uma oferta implícita de aproximadamente US$ 28,49 por ação.
A proposta ainda não constitui uma operação concluída. Ela precisa ser analisada por um comitê especial formado por membros independentes do conselho da Pilgrim’s Pride e aprovada pelos acionistas não vinculados à JBS. O cronograma e os termos finais dependerão, portanto, das negociações e do apoio dos investidores minoritários.
Aquisições criaram uma plataforma multiproteína
A grande expansão da JBS nos Estados Unidos começou em 2007, com a compra da Swift & Company por cerca de US$ 1,4 bilhão. A aquisição deu à empresa brasileira uma posição estabelecida no maior mercado consumidor de carne bovina do mundo e ajudou a transformá-la em uma das maiores processadoras globais do produto. Em 2008, a JBS acrescentou as operações da Smithfield Beef, elevando sua capacidade americana de processamento de bovinos.
O grupo entrou no mercado americano de aves em 2009, pagando cerca de US$ 800 milhões por uma participação majoritária na Pilgrim’s Pride depois que a empresa entrou em recuperação judicial. A Pilgrim’s tornou-se uma plataforma de expansão nos Estados Unidos, México e Europa. Suas próprias aquisições incluíram a britânica de carne suína Tulip por aproximadamente 290 milhões de libras em 2019 e a Kerry Consumer Foods Meats and Meals, no Reino Unido, por cerca de 700 milhões de euros no ano seguinte.
A JBS também ampliou sua posição nos Estados Unidos para além de bovinos e frango. Em 2015, adquiriu a Cargill Pork por aproximadamente US$ 1,45 bilhão, aumentando significativamente sua presença no mercado americano de carne suína. O portfólio resultante combina carne bovina, suína, aves e alimentos preparados, reduzindo a dependência de uma única categoria de proteína e permitindo atuar em diferentes ciclos de produção e demanda.
Escala e controle alteram posição competitiva
A propriedade integral da Pilgrim’s Pride aprofundaria a integração do negócio de aves da JBS e daria à controladora domínio direto sobre todo o capital da subsidiária. Também simplificaria a estrutura acionária de uma operação que vem reforçando alimentos preparados e produtos de maior valor agregado ao lado de suas atividades centrais em aves.
A operação proposta segue o modelo adotado pela JBS desde a compra da Swift: adquirir empresas com fábricas, marcas e acesso ao mercado já estabelecidos, em vez de construir cada posição do zero. Essa abordagem permitiu adicionar capacidade de processamento e alcance geográfico em vários mercados de proteína, mantendo a produção próxima do consumidor americano.
Para concorrentes e processadores, a proposta reforça a importância da escala, da diversificação de produtos e do controle de marcas de alimentos voltadas ao consumidor na indústria de carnes. Para os acionistas minoritários, a questão imediata é se a troca de ações reflete adequadamente o valor e as perspectivas de crescimento da Pilgrim’s Pride. Para a JBS, a aprovação concluiria a consolidação de um negócio que sustenta sua expansão em aves há mais de uma década e reforçaria os Estados Unidos como base central de suas operações internacionais.