Japão endurece lei após fuga de variedades de frutas premium
O Japão reformou sua lei de sementes e mudas para interromper mais cedo exportações não autorizadas de novas variedades. A disseminação da uva Shine Muscat no exterior gera perdas estimadas em quase 20 bilhões de ienes por ano.
Japão amplia proteção de variedades registradas
O Parlamento japonês aprovou uma revisão da lei de sementes e mudas para impedir que sementes e plantas jovens de variedades agrícolas desenvolvidas no país sejam levadas ao exterior sem autorização. Segundo o Nikkei, o projeto foi aprovado pela Câmara dos Conselheiros no dia 17 e deverá entrar em vigor em 1º de dezembro.
As novas regras fortalecem a proteção dos melhoristas já no início do processo de registro. Pelo sistema atual, o registro de uma nova variedade concede ao criador o direito de obtentor, uma forma de propriedade intelectual. O titular pode produzir e vender com exclusividade as sementes e mudas, além de controlar sua importação e exportação. Contudo, esses poderes normalmente só podiam ser aplicados de forma plena após a concessão formal do direito.
Exportações poderão ser bloqueadas durante a análise
A lei revisada permitirá solicitar uma medida para interromper exportações assim que o pedido de registro da variedade for publicado. Isso fecha uma lacuna de aproximadamente três a seis anos entre a publicação e o registro definitivo. Durante esse período de análise, novas variedades podiam deixar o Japão antes que o melhorista obtivesse autoridade jurídica suficiente para impedir a saída.
A revisão também altera o cálculo das indenizações por infração. Os tribunais poderão fixar valores acima do equivalente aos royalties que o infrator teria pago em um contrato de licença. A regra aumenta o custo potencial da propagação não autorizada e oferece aos melhoristas uma base mais forte para recuperar perdas relacionadas à fuga de variedades.
Shine Muscat gera quase 20 bilhões de ienes em perdas anuais
Os valores econômicos são relevantes para o setor japonês de frutas premium. O Nikkei informou que as perdas anuais atribuídas à disseminação da uva Shine Muscat no exterior são estimadas em pouco menos de 20 bilhões de ienes. Material vegetal levado sem autorização pode criar produção concorrente em outros mercados e reduzir a exclusividade dos produtores japoneses e das marcas regionais.
Uma pesquisa de 2025 do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão constatou que cerca de 50 variedades desenvolvidas no país podem ter chegado à China e à Coreia do Sul. A lista inclui morangos, frutas cítricas e uvas. Mais recentemente, mudas da Beni Princess, variedade cítrica premium desenvolvida pela prefeitura de Ehime, foram suspeitas de ter sido levadas ao exterior. Esses casos aumentaram a pressão por proteção antes da conclusão do registro.
Lei paralela apoia variedades resistentes ao clima
No mesmo dia, o Parlamento aprovou outra lei para incentivar variedades adaptadas às mudanças climáticas, incluindo cultivares com maior tolerância ao calor. Planos de empresas, universidades e governos de prefeituras poderão ser certificados pelo ministro da Agricultura. Os participantes aprovados terão acesso às instalações de pesquisa da Organização Nacional de Pesquisa Agrícola e Alimentar do Japão.
As duas leis tratam dos dois lados da inovação agrícola: a proteção do valor comercial do melhoramento já realizado e a ampliação da capacidade de desenvolver novas variedades. Viveiros, fruticultores e propagadores licenciados poderão reduzir o período em que material vegetal valioso fica exposto. Para produtores e comerciantes estrangeiros, aumentam os riscos jurídicos ligados a variedades japonesas sem licença e a importância de cadeias de fornecimento autorizadas e documentadas.