Itália reforçará controles contra fraudes no azeite
A Itália prepara inspeções mais direcionadas em lagares, armazéns, canais de importação e grandes varejistas. A medida surge após o aumento dos volumes comercializados em 2025, acompanhado pela queda dos valores de importação e exportação.
Fiscalização será concentrada nos pontos de maior risco
A Itália prepara controles mais rigorosos sobre a cadeia de fornecimento de azeite para combater fraudes e proteger a reputação dos produtos comercializados como Made in Italy. Segundo a Italpress, o comitê de coordenação dos controles agroalimentares discutiu o novo plano operacional no Ministério da Agricultura, Soberania Alimentar e Florestas.
O plano concentrará as inspeções nos elos da cadeia considerados mais expostos a irregularidades. A fiscalização abrangerá lagares, armazéns, canais de importação e grandes varejistas, com verificações de rastreabilidade, origem declarada e qualidade do azeite. As autoridades também pretendem evitar controles duplicados nas empresas que cumprem as normas.
Controles nas fronteiras e compartilhamento de dados
Participaram da reunião a unidade florestal dos Carabinieri, a Guardia di Finanza, a Guarda Costeira e a Agência de Alfândegas e Monopólios. A Guardia di Finanza manterá um papel central na fiscalização das fronteiras, enquanto os agentes aduaneiros trabalharão com outros órgãos para identificar possíveis irregularidades antes da entrada dos produtos no mercado italiano.
As autoridades ampliarão o compartilhamento de informações e bases de dados para detectar com maior rapidez cargas e operadores de maior risco. O ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, afirmou que os controles direcionados devem impedir fraudes contra agricultores e consumidores, sobretudo quando a apresentação do produto sugere fabricação italiana, embora o azeite tenha sido produzido em outro país. Fornecedores estrangeiros, engarrafadores italianos e varejistas que trabalham com azeite importado enfrentarão, portanto, uma análise mais rigorosa dos documentos de origem e movimentação das mercadorias.
Produção cresce enquanto o valor comercial recua
O setor olivícola continua sendo uma parte importante da economia alimentar italiana. De acordo com cálculos da Ismea citados pela Italpress, a Itália tinha 1,09 milhão de hectares de olivais em 2025, dos quais 289 mil hectares eram orgânicos. O setor reunia cerca de 619 mil empresas olivícolas e 4.261 lagares em atividade. A produção foi estimada em 325 mil toneladas, 31% acima do ano anterior, enquanto seu valor chegou a €2,4 bilhões, alta de 6% segundo dados do Istat.
O governo destinou quase €1,8 bilhão ao setor olivícola em três anos, afirmou Lollobrigida, para apoiar os produtores italianos e tornar mais eficiente a produção orientada à qualidade. O consumo interno ficou em 8,1 quilogramas por pessoa. Nos grandes varejistas, as vendas de azeite extravirgem aumentaram 15% em volume em 2025, mas os gastos recuaram 13%. A demanda física cresceu apesar da redução do desembolso médio.
Fluxos transfronteiriços maiores alteram o mercado
O comércio exterior apresentou divergência semelhante entre volume e valor. As importações de azeite cresceram 49% em volume, mas caíram 16% em valor. As exportações avançaram 15% em volume e diminuíram 20% em valor. O aumento expressivo dos fluxos físicos, combinado com valores comerciais totais menores, torna a verificação da origem e a precisão dos rótulos ainda mais relevantes para o mercado.
Os importadores precisarão manter registros completos de rastreabilidade desde a produção e o armazenamento até a entrada na Itália. Exportadores que abastecem o mercado italiano enfrentarão controles mais direcionados na fronteira e na distribuição posterior. Os produtores italianos poderão se beneficiar se a fiscalização limitar a venda de azeite estrangeiro apresentado de modo a induzir o consumidor a presumir uma origem italiana. O plano não anuncia novas restrições comerciais, mas sinaliza uma aplicação mais rigorosa das regras em todos os canais pelos quais o azeite importado e o nacional chegam aos consumidores.