Irã autoriza exportação de 10.000 toneladas de frango diante da queda da demanda interna
O Irã autorizou a exportação de cerca de 10.000 toneladas de frango em 1405, após o avanço da produção e a retração do consumo interno. O excedente reflete principalmente a perda de poder de compra das famílias.
Licença de exportação abre destino para o excedente
O Irã autorizou a exportação de cerca de 10.000 toneladas de frango em 1405, criando uma saída para um mercado em que a produção continua crescendo enquanto o consumo das famílias diminui. Segundo o Donya-e-Eqtesad, o excedente decorre principalmente do enfraquecimento da demanda interna, e não de uma expansão do mercado de proteínas.
Os dados oficiais citados pelo jornal mostram que a produção de carne de aves passou de aproximadamente 2,069 milhões de toneladas em 1395 para mais de 3,105 milhões de toneladas em 1403, avanço próximo de 50%. No mesmo período, o consumo anual de frango por habitante caiu de 20,3 quilogramas para 18,4 quilogramas. O menor nível, de 16,8 quilogramas, foi registrado em 1401.
A divergência abre uma possibilidade comercial para os exportadores iranianos de aves, mas o volume autorizado continua pequeno diante da produção nacional. As 10.000 toneladas representam menos de 1% da carne de aves produzida em 1403. As exportações podem retirar parte do excedente, porém não devem alterar de forma fundamental o equilíbrio do mercado interno.
Inflação muda as compras de proteína das famílias
A contração não se limita ao frango. De acordo com dados do Centro de Estatísticas do Irã citados pelo Donya-e-Eqtesad, o consumo anual de carne vermelha por habitante caiu de 8,2 quilogramas em 1395 para 5 quilogramas em 1403, retração de quase 40%. Esmail Eshghi, especialista em distribuição de produtos cárneos, disse ao jornal que as vendas aquecidas antes duravam até aproximadamente o décimo sétimo dia de cada mês, mas agora costumam ficar restritas aos primeiros seis ou sete dias. A demanda permanece fortemente deprimida durante cerca de 20 dias por mês.
Eshghi afirmou que um açougue que há dois anos comprava diariamente uma perna inteira de vitela de aproximadamente 50 quilogramas agora adquire a mesma quantidade uma vez a cada três dias. Famílias e restaurantes também reduziram estoques e compram cada vez mais carne apenas para as necessidades imediatas do dia. A queda no volume de negócios atinge pecuaristas, atacadistas e varejistas.
A inflação dos alimentos amplia a pressão. O Donya-e-Eqtesad informou que a inflação anual dos alimentos subiu de 112% no fim de 1404 para cerca de 135% no mês de Khordad de 1405, diante de uma inflação geral nacional de 88,6%. A agência Mehr informou, porém, que o preço do frango caiu cerca de 11% em relação ao período da guerra, enquanto o arroz subiu mais de 50%. Como o frango é perecível, a demanda fraca e o acúmulo de estoques chegam aos preços mais rapidamente do que no mercado de arroz, que pode ser armazenado.
Custo da ração limita a competitividade externa
A queda no preço do frango não significa custos menores de produção. Eshghi disse que a ração animal, importada em grande parte de países como Brasil e Rússia, passou de aproximadamente 10.000 tomans para cerca de 60.000 tomans por quilograma desde o início do ano corrente. Um bezerro consome em torno de 10 quilogramas de ração por dia, levando o gasto diário por animal a cerca de 500.000-600.000 tomans e comprimindo as margens das fazendas.
O mercado de carne vermelha deixa um alerta para os exportadores de aves. A vitela com osso custava cerca de 1,05 milhão de tomans por quilograma, enquanto a perna de vitela no atacado alcançava aproximadamente 1,4 milhão de tomans por quilograma. Eshghi afirmou que, após a conversão para dólares, a carne vermelha iraniana não é competitiva em relação à da maioria dos países vizinhos. Apenas a Turquia apresenta preços superiores, mas seus padrões e condições específicas de mercado limitam o acesso. A licença oferece uma saída de curto prazo para o frango excedente, mas a continuidade do comércio dependerá da capacidade dos exportadores de absorver a ração cara e cumprir as exigências dos destinos enquanto o poder de compra interno permanecer fraco.