Indonésia diz ter arroz para 10 meses apesar do risco de El Niño
A Indonésia estima em 26 milhões de toneladas o arroz nos armazéns estatais, no setor de hotelaria e restauração e nas lavouras ainda por colher. O ministro da Agricultura, Andi Amran Sulaiman, afirmou que o volume cobre 10 meses de consumo, embora parte dele ainda esteja no campo.
Governo calcula disponibilidade para 10 meses
A Indonésia tem arroz suficiente para cobrir o consumo nacional durante os próximos 10 meses, apesar do risco de um El Niño potencialmente severo, afirmou o ministro da Agricultura, Andi Amran Sulaiman. Segundo a VIVA, o governo estima a disponibilidade total em 26 milhões de toneladas, diante de um consumo médio mensal de 2,6 milhões de toneladas.
Amran apresentou os números em 30 de julho de 2026, durante entrevista coletiva no Ministério da Agricultura, em Jacarta. Ele disse que o volume permitirá ao país atravessar o fenômeno climático chamado no debate público de “El Niño Godzilla” sem comprometer o abastecimento nacional de arroz.
O número principal, porém, é mais amplo do que a reserva física do governo em armazéns. O cálculo reúne o arroz estocado pela agência estatal de logística Perum Bulog, os estoques estimados de hotéis, restaurantes e cafés e a produção prevista de culturas que ainda estão no campo.
Bulog mantém 5,2 milhões de toneladas
A VIVA informou que os armazéns da Perum Bulog guardam 5,2 milhões de toneladas de arroz. Este é o componente mais diretamente acessível do cálculo oficial e representa o estoque sob gestão do sistema logístico estatal.
Outras 10,8 milhões de toneladas estariam no setor de hotéis, restaurantes e cafés, conhecido na Indonésia como Horeka. Esses estoques comerciais formam o maior componente individual da estimativa total de 26 milhões de toneladas.
As 10 milhões de toneladas restantes correspondem à produção potencial de lavouras prontas para a colheita em cerca de 3,8 milhões de hectares. Ao contrário do arroz já armazenado pelo Estado ou pelas empresas, esse volume depende da conclusão do ciclo produtivo e da colheita, permanecendo exposto ao clima e às condições das lavouras.
Somados, os três componentes resultam na estimativa governamental de 26 milhões de toneladas. Ao ritmo declarado de 2,6 milhões de toneladas mensais, esse volume equivale matematicamente a 10 meses de demanda nacional.
Clima continua sendo o principal risco produtivo
O cálculo reduz a preocupação com o abastecimento no curto prazo, mas sua composição será decisiva caso a seca prejudique as lavouras antes da colheita. As 10 milhões de toneladas atribuídas às culturas no campo superam o estoque da Bulog e representam quase dois quintos da estimativa total.
Para beneficiadores, atacadistas e operadores de alimentação, o acesso aos estoques e sua distribuição pelos mercados regionais serão tão importantes quanto o volume. O arroz do setor Horeka é um estoque comercial, e não uma reserva centralizada, portanto sua chegada ao mercado difere das liberações realizadas pela Bulog.
Amran afirmou que o governo continua monitorando a produção de alimentos e as reservas para manter a estabilidade do abastecimento nacional diante dos riscos climáticos. O ministro também apresentou diretamente a situação dos estoques ao presidente Prabowo Subianto durante uma reunião restrita do governo.
País recorre à experiência com secas anteriores
O ministro citou a experiência da Indonésia com períodos de seca extrema em 2016, 2023 e 2024. Esses episódios sustentam a confiança do governo de que o país poderá administrar outro choque climático sem comprometer a disponibilidade de arroz.
A cobertura de 10 meses, no entanto, deve ser entendida como um balanço agregado de oferta, e não como 26 milhões de toneladas prontas para liberação imediata pelo Estado. O resultado da colheita nos 3,8 milhões de hectares e a capacidade de fazer os estoques comerciais chegarem aos consumidores determinarão se todo o volume apoiará o mercado como projetado.