Política B50 da Indonésia pouco altera preços do fruto de palma em Bangka
Três semanas após a introdução do biodiesel B50, os preços dos cachos de frutos frescos continuavam estagnados em Bangka, com aumentos de apenas Rp30 por quilograma em algumas usinas. A diferença em relação a Belitung intensifica o debate sobre o poder de negociação dos pequenos produtores e um mercado energético específico para sua produção.
Demanda do B50 ainda não chegou aos produtores de Bangka
Os preços dos cachos de frutos frescos de palma na ilha indonésia de Bangka permaneceram praticamente estagnados desde a introdução do biodiesel B50, apesar da expectativa de que a maior demanda por óleo de palma melhoraria a renda dos produtores. Apresentado em 1º de julho de 2026, o combustível contém 50% de matéria-prima à base de palma e 50% de diesel convencional. A medida pretende reforçar a segurança energética nacional e reduzir a dependência da Indonésia das importações de combustíveis fósseis.
Três semanas após o anúncio da política, a maioria das empresas de palma em Bangka ainda não havia feito ajustes significativos, segundo Jamaludin, presidente interino da seção de Bangka Belitung da Associação Indonésia de Produtores de Palma. O Bangkapos informou que algumas empresas elevaram os preços em apenas cerca de Rp30 por quilograma e que o reajuste não ocorreu em toda a ilha.
Jamaludin afirmou que os produtores esperavam uma alta nos preços dos cachos acompanhando o óleo de palma bruto, a valorização do dólar e os preços externos. Ele também citou uma tendência semelhante de alta na Malásia. Segundo o dirigente, as empresas não explicaram aos agricultores por que os preços de compra em Bangka demoravam a ser ajustados.
Preços avançam em Belitung
A situação é diferente na ilha vizinha de Belitung, onde os preços de compra continuam acompanhando o mercado. A partir de 21 de julho de 2026, os cachos de frutos frescos eram comprados por Rp3.670 por quilograma em Belitung, enquanto Bangka registrava preços entre Rp3.050 e Rp3.250 por quilograma, segundo o Bangkapos.
Os valores recebidos pelos produtores independentes de Belitung também se aproximaram daqueles pagos aos agricultores de plasma, ligados a plantações ou usinas por regimes de parceria. A diferença entre as duas ilhas mostra que uma política nacional de combustíveis não gera automaticamente aumentos uniformes na porteira. A demanda das usinas locais, as práticas de compra e o acesso dos agricultores aos compradores continuam determinando como a demanda adicional por óleo de palma chega aos diferentes elos da cadeia.
Empresário propõe mercado energético separado
Nesse contexto, Petrus Tjandra, presidente-diretor do Agro Investama Group, propôs classificar o mercado de cachos de frutos frescos de acordo com o produto final. Em um debate realizado em Jacarta em 21 de julho de 2026, ele sugeriu destinar à produção de energia a colheita dos pequenos produtores, que representam 43% do setor e 6,8 milhões de hectares. Grandes empresas e companhias estatais poderiam se concentrar em óleo de cozinha e outros produtos, informou a Tempo.
Tjandra argumentou que usinas voltadas ao óleo de cozinha preferem frutos com níveis mais baixos de ácidos graxos livres. Por isso, cachos excessivamente maduros podem ser rejeitados ou comprados com desconto, embora apresentem rendimento estimado de óleo de 28–31%. A separação das plantações destinadas aos mercados alimentar e energético poderia reduzir o risco de rejeição dos frutos maduros dos pequenos produtores, afirmou.
A proposta também aborda o desequilíbrio histórico entre agricultores independentes e empresas integradas de plantação. Os grandes operadores normalmente possuem tanto as áreas de cultivo quanto as usinas de processamento, enquanto os pequenos produtores muitas vezes não têm capacidade própria e dependem de compradores externos. Tjandra afirmou que isso enfraquece seu poder de negociação e mantém os preços dos cachos relativamente baixos. Ele defendeu usinas pertencentes aos produtores, que lhes dariam maior controle sobre qualidade, momento do processamento e vendas à medida que o B50 amplia o mercado energético doméstico.