Política B50 da Indonésia amplia mercado doméstico de óleo de palma
A política indonésia de biodiesel B50 cria um grande canal doméstico para o óleo de palma bruto e reduz a dependência de diesel fóssil importado. O parlamentar Bambang Patijaya afirmou que o programa pode substituir cerca de 18 milhões de quilolitros diante de uma demanda nacional anual de 38–48 milhões de quilolitros.
B50 cria um canal doméstico para o óleo de palma
A política indonésia de biodiesel B50 deve fortalecer a demanda doméstica por óleo de palma, dar aos produtores um comprador além do mercado de exportação e reduzir a dependência do país de diesel fóssil e combustível importado. A norma estabelece uma mistura de 50% de ésteres metílicos de ácidos graxos, ou FAME, produzidos com óleo de palma bruto, e 50% de diesel.
Bambang Patijaya, integrante da Comissão XII da Câmara dos Representantes da Indonésia, afirmou que a política garante um mercado nacional disposto a comprar óleo de palma, inclusive a produção da província das Ilhas Bangka Belitung. A agência estatal de notícias indonésia ANTARA publicou as declarações após uma palestra na Universidade Muhammadiyah de Bangka Belitung em 21 de setembro.
Para pequenos agricultores e outros produtores, um mercado maior de biodiesel acrescenta um canal de venda para o fruto e o óleo de palma. Isso pode reduzir sua exposição às oscilações da demanda externa e dos preços internacionais, embora a reportagem da ANTARA não estime o volume adicional de CPO ou FAME necessário para o B50.
Substituição chega a 18 milhões de quilolitros
Patijaya estimou a demanda anual de diesel da Indonésia em 38 milhões a 48 milhões de quilolitros. Segundo ele, o programa de biodiesel permite economizar cerca de 18 milhões de quilolitros por meio da substituição por combustível derivado de palma. O volume equivale a 37,5% da demanda no limite superior do intervalo informado e a aproximadamente 47,4% no limite inferior.
A política conecta, portanto, dois grandes mercados: a indústria indonésia de óleo de palma e o sistema de combustíveis para transporte. Uma mistura obrigatória maior pode direcionar mais matéria-prima nacional ao processamento de combustível e reduzir o volume de diesel de petróleo que precisa vir de fontes fósseis ou de importações.
Patijaya disse que a Indonésia está à frente de outros países na mistura de biodiesel e classificou a proporção de 50:50 como a mais alta atualmente aplicada no mundo. Ele comparou o país com a vizinha Malásia, que, segundo afirmou, ainda testa misturas B10 e B20. Essas declarações são do parlamentar; a reportagem da ANTARA não apresenta dados independentes dos reguladores de energia sobre produção, consumo ou execução.
Produtores ganham estabilidade, mas exportações podem perder oferta
Para regiões produtoras como Bangka Belitung, o principal benefício é um comprador doméstico mais previsível. Fabricantes de biodiesel podem absorver parte da produção agrícola mesmo quando a demanda externa enfraquece. Isso pode sustentar a renda agrícola regional e os investimentos em processamento, armazenamento e coleta.
O mesmo mecanismo pode reduzir o óleo de palma disponível para exportação ou para as indústrias domésticas de alimentos e produtos químicos caso a produção não acompanhe a demanda por combustível. A concorrência entre usinas de biodiesel, refinarias, exportadores e processadores de alimentos pode pressionar os preços da matéria-prima. A ANTARA não apresenta projeções para exportações, preços do CPO ou efeitos sobre outros consumidores.
A execução determinará como os ganhos serão distribuídos. Os agricultores terão mais benefícios se a demanda maior chegar aos preços pagos na origem, enquanto os fabricantes de biodiesel precisarão de capacidade suficiente de FAME e fornecimento confiável. Distribuidores também terão de administrar uma mistura com partes iguais de FAME de palma e diesel. Patijaya apresentou o B50 como medida de segurança energética e apoio econômico às regiões produtoras, garantindo um destino doméstico para as safras sem dependência total do mercado mundial.