Indonésia leva arroz da Bulog ao varejo diante da escassez de pacotes premium
A Indonésia está ampliando a oferta de arroz da Bulog nas redes modernas após a escassez de pacotes premium de cinco quilogramas em Palembang e Malang. Autoridades investigam a redução dos estoques em meio à alta dos preços e ao risco inflacionário associado ao El Niño.
Oferta da Bulog é direcionada às redes varejistas
A Indonésia está ampliando o fluxo de arroz da estatal de logística alimentar Perum Bulog para os canais modernos depois que pacotes de arroz premium de cinco quilogramas ficaram difíceis de encontrar em várias regiões. O ministro do Comércio, Budi Santoso, afirmou em 2 de setembro que o arroz premium da Bulog, vendido com a marca Befood, já havia começado a chegar às lojas. O arroz de qualidade média da empresa também está sendo preparado para distribuição no varejo moderno.
Segundo a detikFinance, o Ministério do Comércio coordena o abastecimento com a Associação Indonésia de Varejistas, Aprindo, e a Associação Indonésia de Varejistas e Locatários de Shopping Centers, Hippindo. O objetivo é colocar produtos da Bulog em minimercados e outros pontos de venda modernos. A escassez foi registrada em Palembang, no sul de Sumatra, e Malang, no leste de Java, afetando mercados tradicionais e redes organizadas.
Pacotes de cinco quilogramas desaparecem com a alta dos preços
No mercado tradicional 10 Ulu, em Palembang, pacotes de cinco quilogramas de várias marcas premium tornaram-se difíceis de encontrar. Os comerciantes passaram a oferecer mais sacos de 20 quilogramas e arroz vendido por quilograma. Um vendedor local disse à detikFinance que os pacotes menores estavam escassos havia quase dois meses. Ele atribuiu o problema a preços pouco rentáveis e à alta do custo do plástico, que levou produtores a interromper esse formato.
Os estoques também são reduzidos no varejo moderno. Uma unidade da SuperIndo na região de Sukarami, em Palembang, limitou as compras a um pacote por consumidor por dia devido à baixa disponibilidade. O governo provincial do sul de Sumatra, a equipe regional de controle da inflação e a polícia provincial estão investigando as causas da redução dos estoques de arroz premium nas redes varejistas de Palembang.
Preço em Malang chega a Rp80.000 por pacote
Em vários mercados tradicionais de Malang, o preço do arroz premium subiu para Rp80.000 por pacote de cinco quilogramas. Um comerciante do mercado de Bunulrejo disse que o preço de compra antes variava entre Rp76.500 e Rp77.000 por cinco quilogramas. Segundo a detikFinance, a alta ocorreu gradualmente ao longo do último mês, acompanhada pela redução da oferta dos distribuidores.
A interrupção local coincide com preocupações mais amplas sobre a inflação. A ANTARA informou, com base no Centro de Informações sobre Preços Estratégicos de Alimentos do Banco da Indonésia, que os preços nacionais do arroz no varejo variavam em 2 de setembro entre Rp14.750 e Rp17.700 por quilograma. A Indonésia registrou inflação mensal de 0,21% e anual de 3,19% em agosto de 2026. Alimentos, bebidas e tabaco subiram 3,86% em 12 meses e contribuíram com 1,13 ponto percentual para a inflação geral.
Intervenções são propostas antes do El Niño
O economista da CORE Indonesia Dipo Satria Ramli disse à ANTARA que as operações de mercado da Bulog deveriam ser uma prioridade do governo no curto prazo para estabilizar o arroz e outros alimentos básicos. A inflação mensal dos alimentos voláteis chegou a 0,88% em agosto, após queda de 1,68% em julho, enquanto a taxa anual alcançou 4,06%. A meta de inflação da Indonésia para 2026 é de 2,5%, com tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo.
Os riscos para a oferta podem persistir, pois a agência meteorológica BMKG prevê que o El Niño dure pelo menos até o início do primeiro trimestre de 2027. Em setembro de 2026, 169 zonas sazonais, equivalentes a 25,41% do território terrestre da Indonésia, devem atingir o pico da estação seca. O governo já distribui arroz de estabilização SPHP, organiza mercados de alimentos baratos e fornece auxílio em arroz. A Bulog recebeu a tarefa de entregar 10 quilogramas por mês durante três meses a 33,24 milhões de beneficiários entre julho e setembro de 2026. Essas medidas podem ampliar o volume disponível, mas a retomada regular dos pacotes premium de cinco quilogramas também dependerá do custo das embalagens e da disposição de produtores e distribuidores para atender esse segmento.