Índice de preços do açúcar da FAO sobe 11,9% em agosto com menor produção brasileira e cota de importação da Índia
O índice de preços do açúcar da FAO ficou em média 106,4 pontos em agosto, 11,3 pontos acima de julho e alta mensal de 11,9%, o maior nível desde junho de 2025. A FAO associou o movimento aos menores rendimentos de beterraba na União Europeia, aos riscos do El Nino na Ásia, à queda da produção açucareira brasileira e à cota indiana de importação sem tarifa. A Conab projeta mais cana, mas 2,9% menos açúcar, com o etanol ficando com a diferença.
O índice de preços do açúcar da FAO ficou em média 106,4 pontos em agosto, 11,3 pontos acima do registro de julho e 11,9% mais alto na comparação mensal. É o maior nível desde junho de 2025. Os dados foram divulgados pelo NewsDigitales com base na série mensal de preços da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
O movimento chamou atenção mesmo em um mês de alta para os alimentos. O índice geral de preços de alimentos da FAO chegou a 133,3 pontos, 1,9% acima de julho, ou seja, o açúcar avançou muito mais do que cereais, óleos vegetais, carnes e lácteos. A FAO concentrou a explicação em quatro pontos:
- menores rendimentos de beterraba açucareira na União Europeia;
- riscos climáticos ligados ao El Nino em países produtores da Ásia;
- queda da produção de açúcar no Brasil;
- a decisão da Índia de liberar importações de açúcar bruto sem tarifa.
Brasil: mais cana, menos açúcar
Os números brasileiros explicam boa parte do aperto. A Conab projeta 705,2 milhões de toneladas de cana em 2026/27, 4,7% acima da safra anterior. A produção de açúcar, no entanto, é estimada em 42,89 milhões de toneladas, 2,9% abaixo do ciclo passado.
A diferença fica com o combustível. A Conab espera alta de 9,7% no etanol de cana, para 29,98 bilhões de litros, um incentivo adicional para destinar matéria-prima ao combustível em vez do adoçante. O resultado é uma safra de cana maior com oferta menor de açúcar, arranjo que se sustenta enquanto a paridade de preços entre açúcar e etanol favorecer a destilaria ao longo da moagem.
Índia entra no mercado como compradora
A Índia acrescentou pressão pelo lado da demanda. O governo autorizou importações de açúcar bruto sem tarifa dentro de uma cota de 10 lakh de toneladas métricas, equivalente a um milhão de toneladas, e avançou com as regras de alocação em agosto e setembro, segundo o NewsDigitales.
A distinção importa para os operadores. A abertura da cota altera expectativas e cotações internacionais, mas não significa que todo esse volume já tenha sido comprado ou desembarcado. Os fluxos físicos dependerão de como as alocações forem distribuídas e da arbitragem entre os preços mundiais do bruto e os valores internos indianos. Uma cota sem tarifa em um dos principais países produtores retira uma fonte potencial de oferta exportável e, ao mesmo tempo, acrescenta um comprador.
Rendimento da beterraba e El Nino
O componente climático amplia a incerteza sobre a safra 2026/27. A FAO afirmou que calor e seca obrigaram a cortar as previsões de rendimento da beterraba na União Europeia, enquanto as condições associadas ao El Nino pesam sobre as perspectivas dos produtores asiáticos. As duas regiões alimentam o mesmo balanço: uma beterraba europeia mais fraca costuma jogar demanda adicional de açúcar refinado no mercado mundial, e o risco climático asiático afeta a disponibilidade de cana na região que inclui a própria Índia.
O que o índice mede e o que não mede
A série da FAO acompanha cotações internacionais de commodities. Não é preço de varejo e não se transfere automaticamente para a gôndola, ponto destacado pelo NewsDigitales no caso argentino: o índice não deve ser confundido com o preço de um pacote de açúcar. O tamanho do repasse ao consumidor depende do câmbio local, dos impostos, dos custos de distribuição e da política interna.
Duas divulgações organizam a próxima etapa. A FAO publica seu próximo índice mensal em 2 de outubro, enquanto o instituto argentino INDEC divulga o índice de preços ao consumidor de agosto em 10 de setembro. Até que esses dados e preços de varejo específicos do açúcar estejam disponíveis, o fato comprovado é a deterioração das expectativas de oferta mundial, expressa em um salto mensal de 11,9%.
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