Índia deve sair do mercado global de açúcar por dois a três anos
A Índia, antes segunda maior exportadora de açúcar do mundo, pode ficar fora do mercado global por dois a três anos: o El Niño atinge a cana e o etanol consome o excedente, segundo o Jagran. As exportações caíram de 6,8 milhões para cerca de 800.000 toneladas e, até 2027-28, o país pode se tornar importador.
Índia prepara-se para recuar da exportação de açúcar
A Índia pode permanecer amplamente ausente do mercado global de exportação de açúcar nos próximos dois a três anos, informa o Jagran, o que reduz a oferta para os importadores da Ásia, África e Oriente Médio. O país, antes o segundo maior exportador de açúcar do mundo, vê seu excedente exportável desaparecer sob a pressão combinada do estresse climático do El Niño e de um programa de etanol em rápida expansão.
Um excedente que caiu de 6,8 milhões para 800.000 toneladas
A dimensão do recuo é expressiva. No auge, a Índia exportava em média 6,8 milhões de toneladas de açúcar por ano, mas desde então as exportações desabaram para cerca de 800.000 toneladas, informa o Jagran. Isso retira do mercado um fornecedor importante. Para conter os preços internos, o governo já proibiu as exportações de açúcar até 2026, retirando um dos maiores vendedores num momento em que os compradores globais têm poucas alternativas.
El Niño e etanol levam a cana
Duas forças drenam o excedente. O El Niño elevou o risco de uma monção fraca, o que atinge diretamente o cultivo da cana: menos chuva prejudica o plantio e ameaça reduzir a produção. Especialistas em clima já alertaram que o El Niño pode enfraquecer a produção agrícola em países como a Índia, elevando tanto a inflação de alimentos quanto os riscos de abastecimento.
A segunda força é a política. Nova Délhi pressiona por maior mistura de etanol na gasolina, de modo que uma parte crescente da cana vai para o combustível em vez do açúcar. A cana que antes era moída para açúcar agora é desviada para o etanol, apertando ainda mais a oferta. Diferentemente de um choque climático, esse desvio é uma decisão política deliberada, o que torna a queda na disponibilidade de açúcar mais duradoura.
De exportadora a importadora
O balanço interno fica negativo. O Jagran estima a produção indiana de açúcar em cerca de 27,9 milhões de toneladas ante um consumo interno de cerca de 28,5 milhões de toneladas: a demanda supera a produção e os estoques correm o risco de cair a mínimas históricas. Se a tendência continuar, a Índia poderá ter de importar açúcar até 2027-28, pela primeira vez em uma década.
Para o comércio, as consequências são diretas. À medida que a Índia recua como vendedora e potencialmente se torna compradora, os países importadores da Ásia, África e Oriente Médio enfrentam menor disponibilidade e a perspectiva de preços internacionais mais altos, observa o Jagran. O relatório apresenta a interrupção das exportações não como uma decisão puramente interna, mas como um possível ponto de partida para uma escassez global de açúcar mais ampla.
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