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Índia rejeita contranotificação da Austrália na OMC sobre apoio ao açúcar

A Índia rejeitou uma contranotificação apresentada pela Austrália na OMC segundo a qual Nova Déli ultrapassou por 11 anos seguidos o limite de minimis de 10 % específico por produto para o açúcar. A Índia considera a alegação infundada: nenhum órgão público compra açúcar, toda a aquisição cabe a usinas e empresas privadas. É a terceira contestação ao apoio de preço de mercado do açúcar indiano, após objeções anteriores dos Estados Unidos.

Índia rejeita contranotificação da Austrália na OMC sobre apoio ao açúcar

Camberra alega onze anos de excesso sobre o limite de minimis

A Índia rejeitou uma contranotificação apresentada pela Austrália à Organização Mundial do Comércio, na qual se afirmava que Nova Déli concede aos produtores de açúcar apoio acima dos níveis permitidos pelas regras da OMC. Segundo o documento australiano, a Índia ultrapassou o limite de minimis de 10 % específico por produto para o açúcar em cada um dos últimos 11 anos. A rejeição foi noticiada pelo ChiniMandi, com base em reportagem do The Times of India.

A réplica indiana apoia-se na estrutura do próprio mercado açucareiro do país. Nova Déli informou à OMC que nem os órgãos do governo central nem os dos estados compram açúcar no mercado, e que toda a aquisição de açúcar é feita por usinas e empresas privadas. Sem compras públicas, argumenta a Índia, a contranotificação carece de fundamento adequado. Um funcionário do governo afirmou que a Índia reiterou que as bases usadas nas contranotificações anteriores não eram corretas.

O relatório do painel de 2021 que a Índia nunca aceitou

A argumentação australiana apoia-se em grande medida nas conclusões do painel da OMC que decidiu em 2021 a disputa sobre as políticas indianas de apoio ao açúcar e à cana. O painel concluiu que o regime indiano de apoio ao açúcar não era compatível com as obrigações do país na OMC e que o nível de apoio concedido excedia o teto permitido pelas regras da organização.

A Índia não aceita essas conclusões. Recorreu da decisão em 2021 e sustenta que conclusões ainda em fase de recurso não podem servir de base legítima para uma contranotificação. A divergência é, portanto, tanto processual quanto numérica: a Austrália trata as conclusões do painel como fato consolidado e a Índia como algo contestado e inconcluso. Vale notar que o próprio painel não acolheu, à época, o argumento da ausência de compras estatais.

Terceira contestação ao apoio de preço de mercado

É a terceira contranotificação dirigida ao apoio de preço de mercado (MPS) do açúcar indiano. Os Estados Unidos já haviam levantado objeções semelhantes na OMC. A contranotificação é o instrumento pelo qual membros da OMC questionam os valores de apoio interno declarados por outro membro; não gera sanção automática, mas registra oficialmente cálculos divergentes. O embate atual opõe três pontos:

  • A acusação australiana: a Índia excedeu o limite de minimis de 10 % específico por produto para o açúcar por 11 anos consecutivos.
  • A resposta indiana: órgãos públicos não compram açúcar e a aquisição está inteiramente nas mãos de usinas e empresas privadas.
  • O relatório do painel de 2021: citado por Camberra como prova, rejeitado por Nova Déli e sob recurso desde 2021.

O peso da Índia no balanço mundial do açúcar

A Austrália também destacou a posição da Índia no mercado mundial. Nova Déli segue como o segundo maior produtor de açúcar do mundo e, de acordo com o documento australiano, a Índia respondeu por cerca de 18 % da produção global de açúcar entre 2021 e 2025. O argumento de Camberra é que o sistema de apoio de preço de mercado foi justamente o que permitiu à Índia manter essa fatia e continuar como força relevante na produção e no comércio mundiais de açúcar.

Para usinas, traders e importadores nada muda de imediato. Enquanto o recurso não for julgado, o arcabouço indiano de apoio permanece em vigor e nenhuma decisão pode obrigar, nesse intervalo, a mudanças na política de cana e açúcar. O efeito é cumulativo, não imediato: cada peça apresentada amplia um registro documental do qual um acordo ou uma decisão futura poderá se valer. A rejeição indiana recolocou abertamente na OMC o debate sobre suas políticas de apoio ao açúcar e à cana, com um produtor que fornece perto de um quinto do açúcar mundial no centro da discussão.

Análise completa do mercado

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