Preço do açúcar nas usinas da Índia cai 30%, para 47 rupias por quilo, mas o varejo segue perto de 64
O preço do açúcar na saída das usinas indianas caiu de um recorde de 67 rupias por quilo em 18 de agosto para cerca de 47 rupias em 31 de agosto de 2026, queda de aproximadamente 30%. No varejo, a média segue em 64,23 rupias por quilo porque os comerciantes ainda escoam estoques comprados caros. A queda decorre de medidas do governo que liberaram a venda interna do açúcar refinado destinado à exportação e apertaram os limites de estoque de grandes consumidores.
O preço do açúcar na saída das usinas indianas caiu cerca de 30% em menos de duas semanas, de um recorde de 67 rupias por quilo em 18 de agosto para aproximadamente 47 rupias por quilo em 31 de agosto de 2026, mas a queda ainda não chegou às prateleiras do varejo, segundo o Dainik Jagran e a edição em hindi do Business Standard.
Antes da correção, o açúcar era vendido no mercado aberto por até 80 rupias por quilo, enquanto o preço de usina de 67 rupias foi o mais alto já registrado, informou o Dainik Jagran. No domingo, o preço médio no varejo ainda era de 64,23 rupias por quilo e o atacado, de 59,72 rupias por quilo, segundo o Business Standard. No atacado a queda na usina se reflete quase de imediato, mas o varejo não acompanhou.
As medidas do governo por trás da queda na usina
O recuo veio de uma sequência de intervenções do governo, e não de mudanças na safra de cana. As usinas que haviam refinado açúcar destinado à exportação foram autorizadas a vender esse volume no mercado interno. As duas publicações estimam que a decisão levará cerca de 300 mil a 350 mil toneladas adicionais de açúcar refinado ao mercado doméstico nos próximos dois meses, pressionando diretamente os preços.
As regras de estoque para grandes usuários também foram endurecidas. A partir de 1º de setembro, consumidores de atacado que usem mais de 10 toneladas de açúcar por mês não poderão manter estoques superiores a 15 dias consecutivos. Além disso, os volumes mensais vendidos por cada usina a consumidores de atacado, diretamente ou por meio de distribuidores, passarão a ser fiscalizados. Vários grandes compradores já começaram a reduzir os excedentes acumulados para se enquadrar na norma, o que amplia a oferta no curto prazo. O Dainik Jagran informou ainda que o governo abriu as importações e já havia proibido as exportações de açúcar.
Por que os preços no varejo não caíram
As fontes do setor citadas pelas duas publicações atribuem a defasagem inteiramente aos estoques comprados a preços mais altos.
- Um varejista típico mantém de 10 a 15 sacos de açúcar de 50 quilos cada, adquiridos quando os preços estavam elevados.
- Os comerciantes não querem vender essa mercadoria com prejuízo e manterão os preços antigos até esgotá-la.
- Os preços de prateleira só se ajustam quando a mercadoria nova, mais barata, é comprada; o setor calcula um prazo de pelo menos 10 dias.
As margens da cadeia são conhecidas. Fontes do setor disseram às duas publicações que a diferença entre o preço na saída da usina e o atacado costuma ser de 2 a 3 rupias por quilo, e entre o preço de usina e o varejo, de 7 a 8 rupias por quilo. Com o preço de usina em 47 rupias, essa margem apontaria para um preço de prateleira em torno de 55 rupias por quilo, ante 64,23 rupias hoje. O Business Standard informou que, se o preço de usina se mantiver perto de 47 rupias por quilo, o varejo também deve ceder nos próximos dias, ainda que não de imediato.
Balanço de oferta para 2025-26
O governo afirma que os estoques internos de açúcar são suficientes. Ao mesmo tempo, a estimativa de produção para 2025-26 foi cortada para 30,6 milhões de toneladas, ante 34,3 milhões de toneladas anteriores, informou o Business Standard. A demanda interna anual é estimada entre 28 e 28,5 milhões de toneladas.
Isso deixa um excedente de cerca de 2 milhões de toneladas sobre o consumo, sem contar estoques de passagem, uma folga bem menor do que a projeção anterior sugeria. Para processadores, engarrafadores e outros grandes usuários, as variáveis imediatas são o teto de estoque de 15 dias que entra em vigor em 1º de setembro e as 300 mil a 350 mil toneladas de refinado de qualidade exportação que o mercado interno terá de absorver em dois meses. Para o varejo, a restrição é mais simples: os 10 a 15 sacos que já estão no depósito da loja.
Análise completa do mercado