Atraso no plantio pode ampliar dependência indiana de óleo comestível importado
A área indiana plantada com oleaginosas ainda estava 26,48% abaixo do nível sazonal normal em 17 de julho, apesar do avanço após as chuvas. Uma safra menor pode elevar as importações de óleo comestível e a volatilidade dos preços internos.
Área de oleaginosas continua abaixo do nível sazonal
A dependência da Índia de óleo comestível importado pode aumentar depois que o plantio de oleaginosas permaneceu significativamente abaixo do normal na atual temporada kharif. Segundo o Business Standard Hindi, 14,709 milhões de hectares haviam sido plantados até 17 de julho, 26,48% abaixo da área sazonal normal de 20,008 milhões de hectares. A diferença era de 5,299 milhões de hectares.
O plantio acelerou na segunda semana de julho após boas chuvas em grande parte do país. A área atual estava 5,54% abaixo dos 15,572 milhões de hectares registrados na mesma data do ano passado, uma melhora em relação ao déficit anual de 21% observado em 10 de julho. Especialistas agrícolas citados pela publicação afirmaram que o plantio de oleaginosas normalmente deve ser concluído até o fim de julho. Lavouras implantadas mais tarde ficam mais expostas ao clima adverso e a pragas, o que pode reduzir a produtividade por hectare.
Soja e amendoim ficam atrás do ano passado
A soja, principal oleaginosa da temporada, ocupava 10,602 milhões de hectares em 17 de julho. O volume era 4,53% inferior aos 11,105 milhões de hectares da mesma data do ano anterior e estava 2,269 milhões de hectares abaixo da média normal de 12,871 milhões. O plantio de amendoim alcançou 3,452 milhões de hectares, 317 mil hectares abaixo do nível comparável do ano passado.
O atraso no plantio ainda não determina o tamanho final da safra, pois as chuvas e a produtividade durante o restante da temporada também definirão a produção. Uma colheita menor, porém, reduziria a oferta doméstica de matéria-prima para as esmagadoras e poderia aumentar a demanda por óleos vegetais importados. Entidades do setor citadas pelo Business Standard Hindi esperam que qualquer queda de produção afete diretamente o mercado de óleos comestíveis, amplie as importações e provoque fortes oscilações de preços.
Óleos brutos dominam uma conta crescente
A Índia já importa cerca de 60% do óleo comestível de que necessita. O Business Standard Hindi informou importações totais de aproximadamente 16,651 milhões de toneladas no ano fiscal 2025-26, com custo anual próximo de 1,61 trilhão de rupias. Dados da Associação de Extratores por Solventes da Índia mostraram compras de 10,388 milhões de toneladas nos primeiros oito meses do ano oleaginoso 2025-26, de novembro a junho. O volume foi 7% superior aos 9,729 milhões de toneladas do período correspondente do ano anterior.
A composição dos fluxos mudou fortemente em direção aos óleos brutos. A Índia importou apenas 368 mil toneladas de óleo comestível refinado durante os oito meses, ante 1,499 milhão de toneladas um ano antes. As compras de óleo bruto cresceram de 8,229 milhões para 10,018 milhões de toneladas. O óleo de palma bruto liderou com 4,942 milhões de toneladas, seguido pelos óleos de soja bruto e refinado, com 3,273 milhões, e pelos óleos de girassol bruto e refinado, com 2,094 milhões.
As chegadas mensais, contudo, não cresceram de forma uniforme. Em junho de 2026, a Índia importou 1,111 milhão de toneladas, ante 1,597 milhão em junho de 2025. Para processadores, comerciantes e fabricantes de alimentos, a safra final determinará se essa queda mensal poderá continuar. Um déficit persistente na oferta doméstica favoreceria compras maiores de óleo bruto pelas refinarias indianas e transmitiria mais diretamente os movimentos globais dos óleos de palma, soja e girassol aos custos internos.
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