Panamá: IMA fecha acordo com a APUP para comprar 1.000 suínos diante da superprodução
O Instituto de Comercialização Agropecuária do Panamá (IMA) acertou com a associação de produtores APUP a compra de 1.000 suínos, depois que criadores relataram dificuldade para colocar os animais no mercado local. A carne será vendida em lojas e feiras do IMA. Preço por cabeça, cronograma de entrega e valor total não foram divulgados.
O Instituto de Comercialização Agropecuária do Panamá (Instituto de Mercadeo Agropecuario, IMA) acertou a compra de 1.000 suínos junto a membros da Associação de Suinocultores Unidos do Panamá (Asociación de Porcicultores Unidos de Panamá, APUP) e venderá a carne em seus próprios pontos de venda, medida adotada diante da superprodução nacional de suínos, segundo o Panamá América.
Uma compra solicitada pelos produtores
O acordo atende a um pedido formal dos suinocultores, que relataram dificuldade para colocar os animais no mercado local. O IMA apresenta a compra como um canal imediato de comercialização para um setor pressionado pelo excedente de oferta interna. O diretor-geral, Nilo Murillo, confirmou o acordo com a APUP e afirmou que a instituição assumirá o esforço financeiro com o respaldo do ministro do Desenvolvimento Agropecuário, Roberto Linares.
Murillo reconheceu a situação dos criadores e, ao mesmo tempo, delimitou até onde vai a intervenção: “Ellos tienen una sobreproducción bastante interesante a nivel nacional, pero también nosotros tenemos que entender que uno se arropa hasta donde la manta le alcanza” — os produtores têm uma superprodução expressiva em nível nacional, mas cada um se cobre até onde o cobertor alcança. A formulação indica orçamento delimitado, e não compromisso aberto de compra.
Venda por lojas e feiras estatais
A carne adquirida será distribuída e vendida nas lojas e feiras do IMA. Segundo a instituição, o arranjo mantém os recursos gerados na economia nacional e leva carne ao consumidor a preços acessíveis. Direcionar o volume aos pontos estatais significa que os animais contornam a cadeia privada de atacado e varejo, que, na avaliação dos produtores, não vem absorvendo a oferta atual.
- Volume: 1.000 suínos
- Partes: IMA e APUP
- Canal de venda: lojas e feiras agropecuárias do IMA
- Respaldo institucional: Ministério do Desenvolvimento Agropecuário (MIDA), ministro Roberto Linares
- Objetivo declarado: escoamento imediato para os produtores e preços acessíveis ao consumidor
As lojas e feiras do IMA são o mecanismo permanente do instituto para vender alimentos diretamente à população, e a compra de suínos estende esse mecanismo a uma categoria pecuária hoje difícil de escoar. A instituição não informou quantos pontos de venda oferecerão o produto nem em quais províncias.
Abastecimento e monitoramento do El Niño
Murillo afirmou que há condições para garantir o abastecimento de alimentos no país. Acrescentou que o MIDA e o IMA mantêm monitoramento constante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre o setor agropecuário e estão prontos para adotar medidas de contingência que evitem desabastecimento. Não foram detalhadas medidas específicas, limiares ou produtos afetados, e a instituição não relacionou o El Niño ao excedente atual de suínos.
Condições não divulgadas
Nem o IMA nem a APUP divulgaram o preço de compra por cabeça ou por quilo, o cronograma de entrega ou o valor total da operação. Também não foi informado como os 1.000 animais serão distribuídos entre os associados da APUP, em que prazo a carne passará pelas lojas e feiras, nem se novas rodadas de compra estão em avaliação caso o excedente persista. O tamanho do rebanho suíno nacional e a parcela representada por essas 1.000 cabeças não foram mencionados.
Para os produtores, o acordo garante escoamento definido para um volume específico, sem alterar a estrutura do mercado: a oferta acima desse volume ainda precisa encontrar compradores pelos canais comerciais. Para o Estado, a operação coloca o IMA como comprador e revendedor em um mercado no qual costuma atuar pelo lado do preço ao consumidor.