Safra de maçã da Hungria deve cair a 135 mil toneladas, mínima em 50 anos
A Hungria poderá colher apenas 135 mil toneladas de maçãs em 2026, o menor volume em pelo menos cinco décadas. A seca reduziu a produtividade e o tamanho das frutas, enquanto os estoques europeus podem adiar uma alta expressiva dos preços até a primavera.
Colheita ficará abaixo do recorde negativo do ano passado
A Hungria poderá colher apenas 135 mil toneladas de maçãs em 2026, segundo nova previsão do Conselho Húngaro da Maçã divulgada pelo Sokszínű Vidék. Esse seria o pior resultado do país em pelo menos cinco décadas e colocaria a produção bem abaixo do volume recorde de baixa registrado no ano passado.
Os pomares húngaros produziram 170 mil toneladas em 2025, o menor volume desde o início da série estatística. A colheita que está começando poderá ficar até um quinto abaixo desse resultado, informou a RTL Híradó. Duas mínimas consecutivas deixam os produtores com menos fruta comercializável e reduzem a oferta para o mercado doméstico de frutas frescas e para a indústria de processamento.
Seca reduz produtividade e tamanho das frutas na Europa
A principal causa da safra fraca é a seca. O tempo seco atingiu a Hungria e grande parte da Europa, reduzindo a produção de maçãs em todo o continente. As frutas também estão menores que o habitual, acrescentando problemas de qualidade e classificação à queda do volume total.
O menor tamanho pode alterar a divisão da safra entre o consumo in natura e o uso industrial. Maçãs que não atendam às especificações do varejo podem seguir para os processadores, mas a colheita historicamente pequena ainda obrigará as fábricas a disputar uma oferta nacional limitada. Os agricultores têm menos volume vendável após uma temporada em que o clima restringiu tanto a produtividade quanto o desenvolvimento das frutas.
A seca europeia é relevante para a Hungria porque a menor produção nos mercados vizinhos limita a oferta de reposição disponível na região. As importações podem cobrir parte da escassez doméstica, mas a queda em todo o continente dificulta as compras de atacadistas, varejistas e processadores. A fonte não apresentou previsão para os volumes importados pela Hungria nem para a produção industrial.
Estoques podem adiar a pressão sobre os preços
A forte queda da produção não significa necessariamente um salto imediato nos preços. Segundo o Sokszínű Vidék, os armazéns europeus iniciaram a nova temporada com mais maçãs remanescentes da safra anterior do que um ano antes. Esses estoques podem amortecer temporariamente os efeitos das colheitas fracas na Hungria e em outras partes da Europa.
O balanço deverá ficar mais apertado à medida que as frutas armazenadas forem vendidas nos próximos meses. O Conselho Húngaro da Maçã espera que os estoques caiam até a próxima primavera para um nível capaz de provocar uma alta expressiva dos preços. O mercado poderá, portanto, atravessar duas fases: uma proteção inicial oferecida pelos estoques de passagem e uma pressão maior após seu esgotamento.
Riscos de abastecimento atingem toda a cadeia
Para os produtores húngaros, o problema imediato é a falta de volume depois de duas temporadas excepcionalmente ruins. Mesmo que a menor disponibilidade sustente os preços mais adiante, a valorização não compensará integralmente todos os pomares pela forte redução da quantidade colhida. O impacto dependerá da qualidade, do acesso à armazenagem e da venda para o mercado fresco ou para o processamento.
Processadores e comerciantes precisarão administrar uma safra doméstica menor e acompanhar a velocidade de redução dos estoques europeus. Os consumidores poderão ver inicialmente apenas movimentos limitados nos preços, mas a previsão do conselho aponta para um ambiente de oferta mais difícil na primavera. Se os estoques caírem como esperado, a Hungria enfrentará maior concorrência pelas maçãs disponíveis e uma necessidade maior de buscar produto para substituir sua reduzida safra nacional.