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Fornecedor de ovos da Mercadona investe 200 milhões de euros para eliminar gaiolas até 2028

O Grupo Huevos Guillén vai aplicar 200 milhões de euros em quatro anos para eliminar as gaiolas de toda a sua cadeia de fornecimento, com 116 milhões concentrados em 2026 e 2027. A empresa de Valência quer passar de 6,13 milhões de galinhas no fecho de 2026 para 10 milhões em 2030, com 93 % dos seus ovos sem gaiola vendidos na Mercadona.

Fornecedor de ovos da Mercadona investe 200 milhões de euros para eliminar gaiolas até 2028

O Grupo Huevos Guillén vai investir 200 milhões de euros nos próximos quatro anos para eliminar por completo as gaiolas da sua cadeia de fornecimento, segundo o Levante-EMV. O desembolso acelera o plano estratégico do grupo e está ligado a uma expansão que levaria a sua capacidade produtiva a um efetivo de 10 milhões de galinhas poedeiras em 2030.

A empresa, com sede social em Valência e detida pela família Guillén, é líder do setor avícola espanhol. Justifica o fim das gaiolas com a crescente sensibilidade social em torno do bem-estar animal e com as exigências do mercado e dos seus principais clientes, entre eles a Mercadona, para a qual funciona como fornecedor exclusivo.

Calendário do investimento e metas de efetivo

Os 200 milhões de euros serão aplicados de forma progressiva, segundo o calendário divulgado pelo Levante-EMV:

  • 116 milhões de euros entre 2026 e 2027;
  • os restantes 84 milhões de euros divididos em partes iguais pelos dois exercícios seguintes;
  • um efetivo de 6,13 milhões de poedeiras no fecho de 2026, mais 675 mil aves do que no exercício anterior;
  • uma meta de 10 milhões de galinhas em 2030.

O novo compromisso surge depois de projetos já concretizados no valor de quase 216 milhões de euros na última década. Passar de 6,13 para 10 milhões de aves representa um aumento do efetivo de cerca de 63 %, executado em simultâneo com a reconversão dos próprios sistemas de alojamento.

Peso do sem gaiola e o canal Mercadona

No fecho de 2026, 80 % das galinhas do grupo estarão alojadas em sistemas alternativos sem gaiola, face a 73 % em 2025 e 60 % em 2024. A empresa fixa 2028 como data horizonte para que 100 % dos seus ovos frescos comercializados sejam livres de gaiola, desde que as licenças administrativas sejam concedidas nos prazos previstos — uma condição que o grupo assinala de forma explícita.

O investimento pretende manter a Huevos Guillén à frente do mercado espanhol de ovo sem gaiola, um negócio dirigido quase em exclusivo aos lineares da Mercadona, que concentram 93 % desse volume. Fontes da empresa citadas pelo Levante-EMV afirmam que o consumo de ovos alternativos continuará a crescer até ao desaparecimento das gaiolas, e que o ovo de gaiola será destinado maioritariamente ao canal da indústria.

Regulação europeia e a campanha End the Cage Age

A Comissão Europeia confirmou em julho os seus planos para proibir as gaiolas para galinhas poedeiras e frangos de engorda em 2026, e para porcas em 2027, noticiou o Levante-EMV. Para as organizações que integram a coligação espanhola End The Cage Age — AnimaNaturalis, CIWF, Observatorio de Bienestar Animal e INTERCIDS —, a decisão chega depois de anos de pressão e de promessas não cumpridas.

A confirmação surge cinco anos depois de Bruxelas se ter comprometido a proibir as gaiolas para todos os animais de criação, uma exigência apoiada por 1,4 milhões de cidadãos europeus e 170 organizações através da Iniciativa de Cidadania Europeia End the Cage Age, liderada pela Compassion in World Farming. Annamaria Pisapia, porta-voz do comité de cidadãos que impulsionou a iniciativa, afirmou que libertar as galinhas, os frangos e as porcas das gaiolas será um grande avanço para o bem-estar animal na Europa, que transformará a vida de mais de 160 milhões de animais e que responderá finalmente à vontade dos cidadãos.

Trajetória do volume de negócios

A Huevos Guillén fixou como objetivo um volume de negócios de 385 milhões de euros em 2026, face aos 326 milhões registados no ano anterior, um aumento de 18 %. Em relação aos 262 milhões de 2024, a meta representa um crescimento de quase 47 % em apenas dois exercícios. O grupo aponta para mais um ano recorde, com vendas históricas e mais investimento na extensão do seu modelo de produção sem gaiolas.

Análise completa do mercado

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