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Gana e Egito iniciam conversas sobre cooperação avícola e de rações para reduzir importações

Gana e o Egito iniciaram conversas sobre cooperação na produção avícola e de rações, enquanto Acra tenta reconstruir uma indústria nacional que cobre apenas cerca de 18% do consumo. O Egito, maior produtor de carne de frango da África, busca por sua vez mercados para o seu excedente.

Gana e Egito iniciam conversas sobre cooperação avícola e de rações para reduzir importações

Acra recorre ao Cairo em busca de expertise avícola

Gana iniciou conversas com o Egito sobre cooperação na produção avícola e na fabricação de rações, dentro de um esforço mais amplo para reativar uma indústria nacional que hoje cobre apenas uma fração da demanda interna. Segundo a Ecofin Agency, a iniciativa surgiu de uma reunião realizada na terça-feira, 7 de julho, em Acra, entre o Ministério do Comércio, Agronegócio e Indústria de Gana e Wael Fathy Ahmed, embaixador do Egito em Gana.

Um comunicado do ministério informou que as duas partes discutiram uma possível cooperação na produção avícola e na fabricação de rações. Nenhum dos lados anunciou um investimento específico nem assinou um acordo formal, de modo que as conversas permanecem, por ora, em fase exploratória.

Uma indústria que perdeu terreno

Gana já foi praticamente autossuficiente em frango. Nas décadas de 1980 e 1990, a produção local cobria até 80% da demanda interna. Desde então, o setor decaiu sob várias pressões estruturais: alto custo das rações, disponibilidade limitada de pintos de um dia e infraestrutura inadequada, como incubatórios, instalações de processamento e sistemas de cadeia de frio.

A lacuna é agora grande. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Gana produziu cerca de 60.000 toneladas de carne de frango em 2023, cobrindo apenas cerca de 18% do consumo interno, estimado naquele ano em 330.000 toneladas. O restante é suprido em grande parte por importações.

Para reverter a tendência, o Ministério da Alimentação e Agricultura de Gana desenvolve, desde o início de 2026, um plano diretor para a indústria avícola. O roteiro busca melhorar a competitividade do setor, atrair investimento público e privado e reduzir a dependência de produtos avícolas importados.

O excedente do Egito procura compradores

O Egito chega às conversas em posição de força. Em 2024, o país foi o maior produtor de carne de frango da África, com produção estimada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em quase 2,59 milhões de toneladas. Sua indústria é uma das mais desenvolvidas do continente.

A oferta já supera as necessidades internas. Em janeiro de 2026, a União Geral dos Produtores Avícolas do Egito afirmou que o país havia alcançado a autossuficiência e produzia 20% mais aves do que o mercado interno consome. Segundo dados oficiais, a produção diária é de 4,8 milhões de frangos e 1,5 milhão de bandejas de ovos. Para escoar o excedente, a indústria busca novos mercados de exportação em todo o mundo.

O que isso significa para o comércio

As conversas apontam para dois caminhos possíveis. De um lado, a expertise e os insumos egípcios — matrizes, tecnologia de rações e conhecimento de processamento — poderiam apoiar o plano de Gana de elevar gradualmente a produção interna. De outro, Gana continua sendo um mercado dependente de importações que os produtores egípcios poderiam mirar diretamente para colocar seu excedente.

Por ora, o resultado é indefinido. Não foram anunciados valores de investimento, prazos ou volumes, e o plano diretor ainda está sendo elaborado. Importadores e exportadores que acompanham o comércio avícola da África Ocidental precisarão ver se a cooperação avança para investimentos em rações e produção dentro de Gana ou para maiores embarques egípcios ao mercado — dois caminhos com consequências muito distintas para os produtores nacionais e para a lacuna de cerca de 270.000 toneladas entre o que Gana produz e o que consome.

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