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Fechamento da fronteira entre Afeganistão e Paquistão paralisa comércio terrestre

As passagens entre Afeganistão e Paquistão estão fechadas há quase um ano, interrompendo o comércio terrestre e o trânsito. Exportadores, operadores logísticos e avicultores paquistaneses acumulam perdas, enquanto empresas afegãs arcam com sobrecustos.

Fechamento da fronteira entre Afeganistão e Paquistão paralisa comércio terrestre

Comércio terrestre continua suspenso

O comércio terrestre, o trânsito e o movimento de passageiros entre Afeganistão e Paquistão estão suspensos há quase um ano devido a divergências políticas entre o Paquistão e o Talibã, informou a Shafaqna Afghanistan. O fechamento afeta o comércio bilateral, a agricultura, a avicultura e o emprego nas fronteiras. Empresas dos dois países tiveram de vender parte dos produtos abaixo do preço de compra.

Zia-ul-Haq Sarhadi, vice-presidente sênior da Câmara Conjunta de Comércio e Indústria Paquistão-Afeganistão, afirmou que o Paquistão exportava anualmente cerca de US$ 1,5 bilhão em mercadorias para o Afeganistão. Ele estimou que comerciantes paquistaneses perderam quase US$ 1 bilhão nesse negócio durante os últimos 10 meses. O Paquistão também enviava por ano cerca de US$ 800 milhões em bens para a Ásia Central via Afeganistão; a interrupção causou perdas estimadas em US$ 225 milhões para os exportadores paquistaneses.

Contêineres elevam o custo do trânsito

A carga afegã gerava receitas importantes para transportadoras, seguradoras, portos e prestadores aduaneiros do Paquistão. Cerca de 40 mil a 45 mil contêineres afegãos passavam anualmente pelos portos de Karachi, com gasto médio de US$ 4 mil por unidade em transporte e serviços relacionados. O Paquistão recebia cerca de US$ 160 milhões por ano com essa atividade, e Sarhadi estimou em aproximadamente US$ 106 milhões a perda causada pela interrupção.

O Dawn informou que cerca de 10 mil contêineres afegãos em trânsito ficaram retidos no Paquistão entre outubro de 2025 e abril de 2026. Com cobranças de aproximadamente US$ 120 por contêiner ao dia, importadores afegãos tiveram cerca de US$ 1,2 milhão em custos extras diários. Dados aduaneiros mostram que o trânsito afegão pelo Paquistão caiu de 102.886 contêineres, avaliados em US$ 6,7 bilhões, no ano fiscal de 2023 para 54.114 em 2024, 42.959 em 2025 e 11.592 contêineres, no valor de US$ 367 milhões, em 2026.

Agricultura e avicultura absorvem o choque

Antes do fechamento, o Afeganistão comprava cerca de 20% da produção avícola paquistanesa, segundo o Business Recorder. O setor agora enfrenta excedente estimado em 20%. O custo de produção é de aproximadamente 290 rúpias por quilograma, mas o produto é vendido por cerca de 250 rúpias, deixando prejuízo próximo de 40 rúpias por quilograma, explicou Imran Khan, membro executivo da Associação Avícola do Paquistão.

O Afeganistão também era um mercado tradicional para o açúcar, o arroz e o milho paquistaneses, segundo o Dawn. As exportações de arroz do Paquistão caíram de US$ 3,35 bilhões no ano fiscal de 2025 para US$ 2,29 bilhões em 2026, em meio a custos elevados, acesso difícil aos mercados mundiais e fechamento do mercado afegão. A indústria açucareira pediu autorização para exportar 600 mil toneladas excedentes, enquanto produtores de milho enfrentam estoques altos e opções limitadas de exportação.

Afeganistão redireciona comércio

As exportações anuais afegãs para a Índia pela passagem de Wagah valiam cerca de US$ 300 milhões, segundo o Dawn. Sarhadi estimou que a interrupção custou quase US$ 200 milhões aos exportadores afegãos em 10 meses. As exportações afegãs para outros países via Paquistão despencaram de US$ 454 milhões no ano fiscal de 2025 para US$ 7 milhões em 2026.

O Afeganistão redirecionou parte do comércio para o Irã e a Ásia Central. Dados do Banco Mundial citados pelo Dawn mostram que as importações diretas do Irã e as mercadorias transportadas por esse país somaram 48,6% das importações afegãs. O Banco Asiático de Desenvolvimento aprovou um pacote de US$ 400 milhões para modernizar passagens regionais, mas o Dawn avaliou que a infraestrutura não pode reativar o comércio enquanto a fronteira permanecer fechada e as relações políticas forem instáveis.

Análise completa do mercado

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