Frigorífico de Kursk recebe autorização para fornecer carne suína à China
A autoridade aduaneira chinesa autorizou a fábrica de processamento de carne de Kursk a fornecer carne suína russa. A subsidiária da Agropromkomplektatsiya é a quarta processadora russa admitida desde a retomada dos embarques em fevereiro de 2024.
Quarta processadora russa ganha acesso ao mercado
A Administração Geral das Alfândegas da China autorizou a Fábrica de Processamento de Carne de Kursk, KMPZ, a fornecer carne suína russa ao mercado chinês, informou o Kommersant. A unidade fica em Zheleznogorsk, na região russa de Kursk, e integra o grupo Agropromkomplektatsiya, controlado por Sergey Novikov. A representação regional do serviço veterinário e fitossanitário russo Rosselkhoznadzor anunciou a aprovação em 17 de julho.
A KMPZ tornou-se a quarta empresa russa a obter a certificação necessária e acesso ao mercado suíno chinês. A decisão amplia o grupo de fornecedores além das três fábricas inicialmente aprovadas quando o comércio bilateral foi retomado. A certificação concede acesso regulatório, mas a fonte não informou volumes planejados, condições contratuais, categorias de produtos suínos ou a data dos primeiros embarques.
Registro foi precedido por testes e inspeções
O processo de aprovação incluiu análises dos produtos e da água da fábrica em laboratórios credenciados pelo importador. O Rosselkhoznadzor também inspecionou a empresa, enquanto a autoridade chinesa competente realizou uma inspeção por vídeo. Após a confirmação de que a unidade e seus produtos atendiam às exigências chinesas, a KMPZ foi registrada no sistema CIFER da Janela Única da China.
O procedimento mostra que o comércio de alimentos com a China é controlado no nível de cada instalação. Um acordo entre autoridades nacionais não basta: cada fábrica precisa de certificação e registro próprios. Para a cadeia suína russa, cada processadora aprovada aumenta o número de unidades capazes de atender compradores chineses. Os importadores ainda avaliarão especificações, preços, logística e confiabilidade do fornecedor antes de realizar pedidos.
Comércio voltou após restrições vigentes desde 2008
As exportações russas de produtos suínos para a China foram retomadas no fim de fevereiro de 2024, depois da retirada das restrições temporárias aplicadas desde 2008. Três empresas russas receberam aprovação na etapa inicial. O Rosselkhoznadzor afirmou que trabalhou por mais de sete anos com a parte chinesa para viabilizar os fornecimentos de carne suína russa.
A KMPZ foi registrada em 2015 e produz principalmente carne resfriada, segundo dados da Rusprofile citados pelo Kommersant. Yuri Derevenchuk é o diretor da empresa, cujo capital social soma 600 milhões de rublos. A fábrica pertence à Agrokomplektatsiya — Kursk, que está em processo de reorganização. Sergey Novikov detém participação beneficiária de 85,1%, e Nadezhda Novikova, de 14,9%.
Aprovação vem após forte queda no lucro
O acesso ao novo mercado ocorre depois de um ano em que a receita da KMPZ cresceu, mas sua rentabilidade enfraqueceu de forma acentuada. Segundo o Kommersant, a fábrica registrou lucro líquido de 17,6 milhões de rublos em 2025, queda de 92,5% ante os 234,9 milhões de rublos de 2024. A receita avançou 9,9%, de 46,7 bilhões para 51,3 bilhões de rublos.
A China representa, portanto, um canal adicional de vendas enquanto as margens da processadora parecem pressionadas. A certificação, porém, não garante negócios, e nenhuma meta de exportação foi anunciada. Como quarta fábrica russa habilitada, a KMPZ amplia sua base potencial de clientes e acrescenta um fornecedor ao corredor comercial restabelecido em 2024. O resultado dependerá da obtenção de pedidos regulares a preços capazes de cobrir processamento e logística.