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Federarroz aponta classificação inferior em 80% das amostras selecionadas de arroz tipo 1

A Federarroz afirma que 215 das 268 amostras selecionadas de arroz vendido como tipo 1 receberam classificação inferior em laboratório. A entidade enviará os resultados às autoridades brasileiras, mas ressalta que a seleção direcionada não representa todo o mercado nacional.

Federarroz aponta classificação inferior em 80% das amostras selecionadas de arroz tipo 1

Levantamento direcionado encontra ampla divergência

Produtores brasileiros de arroz questionam a classificação de produtos vendidos como tipo 1 depois que um levantamento direcionado constatou que 215 de 268 amostras não atendiam à classe indicada nas embalagens. A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, Federarroz, encomendou o trabalho e pretende encaminhar os resultados laboratoriais às autoridades competentes.

Segundo o Canal Rural, a Federarroz coletou os produtos entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 em 167 estabelecimentos de 32 cidades. A operação passou por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e percorreu aproximadamente 8.500 quilômetros. Todas as amostras foram enviadas a um laboratório credenciado.

O levantamento analisou 268 produtos oferecidos ao consumidor como arroz tipo 1. Desse total, 215 amostras, ou 80,22%, receberam classificação inferior no laboratório. A Federarroz ressaltou que o percentual se aplica exclusivamente aos itens selecionados e não pode ser usado como estimativa de todo o arroz tipo 1 comercializado no Brasil.

Critério de seleção limita conclusões sobre o país

A federação priorizou deliberadamente produtos com sinais visuais de possível desconformidade ou posicionados nas faixas de preço mais baixas das gôndolas pesquisadas. O método é adequado para localizar suspeitas de irregularidade, mas não produz uma avaliação representativa do mercado varejista como um todo.

A classificação laboratorial considerou defeitos e a proporção de grãos quebrados. O Canal Rural informou que algumas embalagens rotuladas como tipo 1 apresentaram 18% e 35% de grãos quebrados, percentuais associados a classes inferiores pelos critérios empregados. Foram encontradas divergências nos seis estados visitados.

Os produtos continuam próprios para consumo, e os problemas de classificação não representam risco à saúde, conforme a reportagem. A controvérsia diz respeito à entrega da qualidade anunciada ao consumidor e à possibilidade de arroz de classe inferior competir em preço com mercadorias classificadas corretamente.

Órgãos podem avaliar medidas administrativas, cíveis e penais

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, explicou que a seleção incluiu produtos que já pareciam questionáveis ou custavam muito menos que outras marcas. Para ele, vender arroz de qualidade inferior como tipo 1 prejudica o consumidor e coloca em desvantagem competitiva as empresas que cumprem as normas de classificação.

O diretor jurídico da Federarroz, Anderson Belloli, afirmou que os resultados serão enviados aos órgãos competentes. Providências administrativas podem envolver o Ministério da Agricultura e Pecuária. Os Ministérios Públicos estaduais podem tratar das questões cíveis, enquanto casos envolvendo mais de um estado podem chegar ao Ministério Público Federal. Eventuais consequências penais dependerão das investigações e do enquadramento jurídico adotado pelas autoridades responsáveis.

O caso aumenta o escrutínio sobre classificação comercial, precisão das embalagens e concorrência de preços no varejo. Para beneficiadores e marcas que cumprem as regras, a fiscalização pode impedir que produtos de classe inferior pressionem os preços do arroz tipo 1. Para varejistas e fornecedores, os resultados reforçam a importância de análises, rastreabilidade e coerência entre o conteúdo da embalagem e a classificação impressa.

Análise completa do mercado

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