Exportadores sul-africanos de frutas voltam-se para a China e os BRICS com margens do AGOA mais apertadas
Exportadores de alimentos e produtos agrícolas da zona económica especial de Coega, na África do Sul, apontam a China, a Índia e a Rússia como os seus principais mercados de crescimento. A DC Foods está a concluir os procedimentos regulatórios para enviar frutas congeladas e sorvetes para a China, enquanto a exportadora Coegapack aposta no regime chinês de tarifa zero.
Os exportadores sul-africanos de alimentos e produtos agrícolas estão a intensificar a atividade comercial na China e noutros mercados dos BRICS, à medida que as condições nos destinos tradicionais se tornam mais difíceis, segundo artigo publicado pelo People's Daily Online com base em informação da agência Xinhua. As empresas instaladas na zona económica especial (ZEE) de Coega, na província do Cabo Oriental, afirmaram na terça-feira que a China, a Índia e a Rússia passaram a ser o centro dos seus planos de crescimento.
DC Foods perto de entrar no mercado chinês
A DC Foods, fabricante especializada em frutas congeladas e produtos de sorvete, está a concluir os procedimentos regulatórios necessários para exportar para a China. O gerente de operações, Murray Price, disse que a empresa trabalha há cerca de um ano no cumprimento de todos os requisitos e espera entrar em breve no mercado. Falou à imprensa na terça-feira, durante uma visita de meios de comunicação à ZEE de Coega.
Segundo Price, o processo de conformidade tem sido conduzido em conjunto com os departamentos de comércio do governo sul-africano e envolve protocolos de segurança para produtos compostos de fruta e sorvete. A entrada na China integra um plano mais amplo de vendas em economias emergentes. A empresa visa também a Índia, com a qual já mantém ligações comerciais através da compra de matérias-primas. "Abastecer o mundo faz parte do nosso plano de negócios", disse Price.
Procura dos BRICS e regime chinês de tarifa zero
A Coegapack, exportadora de frutas instalada na mesma zona, espera que a procura da China, da Índia e da Rússia absorva uma parcela crescente da produção sul-africana. O diretor-geral, Russell Stead, declarou à Xinhua que "à medida que o nosso setor cresce, conseguimos exportar mais fruta para esses países", sublinhando que os quadros bilaterais de comércio são decisivos para sustentar o desenvolvimento do setor agrícola do país.
Os exportadores começaram a usar o regime chinês de preferências tarifárias não recíprocas de tarifa zero, que entrou em vigor no início deste ano e concede acesso sem direitos às exportações africanas elegíveis. Stead afirmou que ainda é cedo para quantificar o efeito no volume exportado pela Coegapack, mas descreveu as condições preferenciais como uma grande vantagem estrutural de longo prazo e espera um impacto positivo relevante à medida que cresçam os embarques para essas regiões.
Margens sob pressão no canal AGOA
A mudança reflete também o aumento do risco nos mercados tradicionais. Price explicou que a DC Foods cresceu inicialmente a exportar para a América do Norte ao abrigo do African Growth and Opportunity Act, mas que a alteração das políticas comerciais e a subida de tarifas comprimiram as margens de lucro. "Manter presença nos mercados tradicionais continua a ser importante, mas expandir para a China e para a rede mais ampla dos BRICS dá-nos a estabilidade e o crescimento de longo prazo de que precisamos", disse.
As empresas ligam diretamente o acesso a mercados ao emprego local. Segundo o artigo, a DC Foods criou cerca de 1.500 postos de trabalho locais na província do Cabo Oriental nos últimos dois anos. Ambas as exportadoras disseram que os planos de expansão dependem da infraestrutura disponível em torno da zona industrial.
Porto de Ngqura sustenta os embarques para a Ásia
A ZEE de Coega é diretamente adjacente ao porto de águas profundas de Ngqura. As duas empresas indicaram que a proximidade do porto e dos principais polos de produção agrícola garante a eficiência logística necessária aos embarques marítimos para a Ásia. Os elementos centrais do atual esforço exportador, conforme descrito pelas duas empresas:
- DC Foods: cerca de um ano de trabalho regulatório concluído para enviar frutas congeladas e sorvetes para a China, com entrada no mercado prevista em breve.
- Coegapack: China, Índia e Rússia identificadas como os mercados capazes de absorver volumes crescentes de fruta sul-africana.
- O regime chinês de preferências não recíprocas de tarifa zero para exportações africanas elegíveis está em vigor desde o início deste ano, com efeito sobre os volumes ainda não mensurável.