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Exportadores marroquinos procuram acesso direto aos retalhistas da Polónia e Europa Central

Os exportadores marroquinos querem negociar diretamente com cadeias da Polónia e de mercados vizinhos, sem passar por reexportadores de Espanha e dos Países Baixos. As reuniões em Varsóvia já resultaram num primeiro teste comercial com tomate rosa marroquino.

Exportadores marroquinos procuram acesso direto aos retalhistas da Polónia e Europa Central

Exportadores querem encurtar a cadeia comercial

As frutas e os produtos hortícolas marroquinos já chegam à Polónia, mas volumes significativos passam primeiro por reexportadores em Espanha e nos Países Baixos, segundo a FreshPlaza, citada pela Bladi.net. Os fornecedores de Marrocos procuram agora relações diretas com distribuidores polacos e de outros mercados da Europa Central e Oriental.

Uma empresa marroquina promoveu essa estratégia em 24 de setembro, na feira profissional Fresh Market, em Varsóvia. O objetivo declarado era estabelecer ligações comerciais diretas com compradores polacos e outros clientes da região. Marrocos já tinha identificado a falta de acesso direto aos compradores como um entrave ao crescimento das vendas de produtos frescos nesses mercados.

A iniciativa produziu um primeiro resultado comercial. Após a feira, o exportador anunciou um acordo para realizar um teste com tomate rosa marroquino destinado ao mercado polaco. A empresa afirmou ainda que, tanto quanto sabia, era o primeiro produtor-exportador marroquino a expor no evento de Varsóvia.

Interesse comercial vai além do tomate rosa

Representantes da Auchan, Carrefour, Biedronka e Albert reuniram-se com o exportador marroquino. Também participaram compradores da Lituânia, República Checa e Ucrânia, mostrando que a oportunidade comercial ultrapassa o mercado polaco.

As conversações abrangeram tomate cherry alongado, pimentos California e Kapia, framboesa e mirtilo, além do tomate rosa. Os supermercados polacos demonstraram especial interesse pelo tomate marroquino de pequeno calibre vendido como snack. Procuram embalagens fáceis de transportar e que destaquem as qualidades nutricionais, mantendo forte atenção à rastreabilidade.

Os frutos vermelhos marroquinos contam com uma janela sazonal definida. Segundo a Bladi.net, atraem interesse durante a época de menor oferta polaca, de outubro a maio. Nesse período, os fornecedores marroquinos podem abastecer as cadeias quando a disponibilidade local é mais limitada, desde que cumpram as exigências de embalagem, rastreabilidade e entrega.

Venda direta pode alterar o controlo das margens

Uma rota direta não elimina automaticamente todos os custos logísticos e comerciais. Os produtos frescos continuam a exigir controlo de temperatura, transporte fiável e entrega pontual. Contudo, negociar diretamente com os retalhistas no mercado de destino pode reduzir a dependência das plataformas comerciais da Europa Ocidental e dar aos exportadores marroquinos maior controlo sobre a relação com o cliente, a apresentação dos produtos e a negociação das margens de distribuição.

As fontes não apresentam uma comparação de preços de transporte nem de tempos de trânsito entre rotas diretas e indiretas. O benefício económico dependerá, por isso, da capacidade dos exportadores para organizar volumes regulares e transporte fiável até à Polónia e aos países vizinhos. A poupança obtida com menos intermediários terá de ser comparada com os custos de distribuição, conformidade e apoio ao cliente perto do destino.

Marrocos procura diversificar a procura europeia

A iniciativa surge após um crescimento expressivo do negócio marroquino de frutas e produtos hortícolas na Europa. Em 2025, o país exportou 2,38 milhões de toneladas de produtos frescos, incluindo 708.000 toneladas de tomate, segundo a Bladi.net. A União Europeia absorveu 1,47 milhões de toneladas, tendo França, Espanha e Países Baixos como principais destinos.

As importações espanholas de frutas e produtos hortícolas de Marrocos aumentaram 24% em volume e 23% em valor no primeiro trimestre de 2025, face ao mesmo período do ano anterior. Simultaneamente, as exportações marroquinas de tomate para a Europa cresceram consideravelmente, enquanto os volumes exportados pelos Países Baixos e por Espanha, fornecedores historicamente dominantes, diminuíram.

Para os produtores marroquinos, o teste de Varsóvia representa mais do que uma remessa adicional. Permitirá avaliar se conseguem transformar uma posição consolidada no abastecimento europeu em acesso direto aos retalhistas mais a leste. Se o modelo for comercialmente viável, a Polónia poderá funcionar como porta de entrada para uma rede mais ampla de compradores da Europa Central e Oriental.

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