Exportadores egípcios de cebola miram a Turquia após queda de 100 mil toneladas na produção
A produção turca de cebola caiu cerca de 100 mil toneladas, elevando a procura por produto egípcio. A oportunidade compensa apenas parte da menor demanda europeia, da concorrência no Golfo e do aumento dos fretes.
Escassez turca abre novo canal de vendas
A Turquia tornou-se nesta temporada um dos principais destinos da cebola egípcia depois que sua produção doméstica caiu cerca de 100 mil toneladas. Ahmed Sobhi, vice-presidente do Comitê de Exportação Agrícola da Egyptian Businessmen’s Association, disse ao Al Borsa que compradores turcos aumentaram as importações do Egito desde maio para atender às necessidades dos consumidores.
As vendas adicionais oferecem um canal para produtores e exportadores egípcios, mas executivos do setor afirmam que elas não compensarão integralmente o recuo em outros mercados. As exportações egípcias de cebola fresca caíram 26,8% no primeiro semestre do ano, para cerca de 123 mil toneladas, ante 168 mil toneladas no mesmo período de 2025. A redução foi de aproximadamente 45 mil toneladas.
Alguns fornecedores já voltaram ao mercado turco. Ahmed Koura, presidente da Al Andalusia Agricultural Crops, afirmou que sua empresa exportou 450 toneladas, equivalentes a 15-20 contêineres, para a Turquia pela primeira vez em 12 anos. Ele relacionou a escassez da safra turca às mudanças climáticas. Haytham El-Saadany, presidente da Sadat Agro Fruit, disse que a companhia enviou 20 contêineres de cebola amarela à Turquia em uma semana, ao preço de exportação de 370 dólares por tonelada, incluindo frete.
Europa e Golfo continuam difíceis
Os elevados estoques europeus reduziram a demanda por cebola egípcia, sobretudo pelas variedades amarelas. Segundo El-Saadany, um cliente europeu procurou sua empresa para encomendar apenas um contêiner, volume muito abaixo do habitual. O quadro foi agravado pelo aumento de 20%-40% no custo do frete marítimo para a Europa.
No Golfo, cebolas da Índia e do Paquistão competem fortemente em preço, resistência e cor. Sobhi afirmou que os países do Golfo absorvem atualmente 30%-50% das exportações egípcias de cebola roxa, com destaque para a Arábia Saudita e para a demanda ligada ao hajj e à umrah. El-Saadany, porém, disse que a Arábia Saudita suspendeu a importação de cebolas egípcias ao expandir o cultivo doméstico. Os mercados do Golfo também reexportam excedentes de cebola indiana para Líbano, Iraque e Síria.
O aumento do transporte rodoviário enfraqueceu ainda mais a competitividade egípcia. De acordo com Sobhi, o custo de um caminhão de 25 toneladas para os países do Golfo subiu primeiro de 4 mil para 5 mil dólares e agora está entre 8 mil e 9 mil dólares. O preço de exportação da cebola egípcia varia de 350 a 400 dólares por tonelada, conforme o tamanho, a variedade e a distância.
Exportadores procuram outros destinos
O Egito possui extensas áreas de cultivo de cebola em Dakahlia e Gharbia, no delta do Nilo; Sohag, Beni Suef e Fayoum, no Alto Egito; além de terras desérticas nos oásis e em Giza. Koura explicou que a expansão da área plantada elevou a produção acima da demanda externa, tornando necessária a abertura de mercados capazes de absorver a oferta. Sua empresa pretende aumentar em 50% as exportações para destinos atuais, especialmente África, Malásia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos.
O Ministério da Agricultura também trabalhou para abrir Vietnã, Paquistão e Uruguai à cebola egípcia, embora os pedidos ainda sejam limitados. Os exportadores observam que a temporada, iniciada em setembro, continua em fase inicial e que a demanda pode crescer. Compras turcas sustentadas podem redirecionar parte do excedente egípcio, mas o resultado geral continuará dependendo dos estoques europeus, da concorrência no Golfo e dos custos de transporte.