Exportações russas de carne bovina congelada à China crescem 36%
A Rússia faturou US$ 80,2 milhões com exportações de carne bovina congelada à China entre janeiro e julho de 2026, ante US$ 58,8 milhões um ano antes. As vendas avançaram em julho, mas o país permaneceu muito atrás de Brasil, Austrália e Argentina.
Receita em sete meses cresce mais de um terço
A Rússia exportou US$ 80,2 milhões em carne bovina congelada à China entre janeiro e julho de 2026, ante US$ 58,8 milhões no mesmo período de 2025, segundo dados da alfândega chinesa divulgados pela Interfax. O aumento foi de US$ 21,4 milhões, ou cerca de 36%, dando continuidade ao avanço já registrado no ano-calendário anterior.
A receita russa com exportações de carne bovina congelada à China chegou a US$ 100,2 milhões em 2025, ante US$ 86,6 milhões em 2024, informou a Interfax. Os primeiros sete meses de 2026, portanto, geraram cerca de quatro quintos do valor obtido durante todo o ano de 2025. Os dados aduaneiros disponíveis, porém, medem o comércio em valor e não informam a tonelagem. Assim, não é possível determinar quanto do crescimento veio de um volume físico maior e quanto resultou de preços ou de mudanças no mix de produtos.
Julho supera junho, mas abril segue como pico de 2026
As exportações de julho foram avaliadas em US$ 11,4 milhões, ante US$ 10,1 milhões em julho de 2025 e US$ 10,3 milhões em junho de 2026. Isso representa crescimento anual de aproximadamente 13% e alta mensal próxima de 11%. Abril continuou sendo o mês mais forte de 2026 coberto pelos dados, com US$ 15,6 milhões.
O resultado de julho indica que os fornecedores russos mantiveram o ritmo após junho, embora a receita mensal tenha ficado US$ 4,2 milhões abaixo do pico de abril. Para processadores e exportadores, a comparação também exige separar a expansão anual das oscilações de curto prazo nos calendários de embarque, na execução dos contratos e no valor dos produtos.
A Rússia não exportou carne bovina fresca à China entre janeiro e julho de 2026. No mesmo período de 2025, esses embarques somaram US$ 393,8 mil, e a Austrália foi apontada como a principal fornecedora chinesa desse segmento. O crescimento russo ficou, portanto, inteiramente concentrado no produto congelado, que continua sendo a categoria comercialmente relevante no comércio bilateral de carne bovina.
Rússia segue pequena em um mercado chinês diversificado
A China comprou carne bovina de 16 países nos primeiros sete meses de 2026. O Brasil liderou com ampla vantagem, fornecendo US$ 6,1 bilhões, seguido pela Austrália, com US$ 1,4 bilhão, e pela Argentina, com US$ 1,2 bilhão. Os US$ 80,2 milhões da Rússia corresponderam a apenas cerca de 1,3% do valor brasileiro. A diferença mostra a distância entre o rápido crescimento russo e a escala dos canais consolidados da América do Sul e da Austrália.
O comércio total de carnes oferece contexto adicional, mas não permite medir diretamente o volume de carne bovina. Segundo a Lenta.ru, a Rússia forneceu à China mais de 53 mil toneladas de carne suína, carne bovina e miúdos comestíveis suínos e bovinos entre janeiro e maio de 2026. Como o número reúne diversas categorias, não revela a tonelagem específica de carne bovina congelada.
Os custos domésticos também podem influenciar as margens e as decisões de preços dos exportadores. O preço médio da carne bovina na Rússia chegou a 744,9 rublos por quilograma em 1º de julho, alta anual de 15,58%, segundo a Lenta.ru. O produto encareceu mais do que as demais carnes. A maior receita no mercado chinês abre um canal crescente para os produtores russos, mas a alta dos preços internos e a ampla vantagem de Brasil, Austrália e Argentina limitarão o ritmo dessa expansão.