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Exportações de óleo de palma da Indonésia perdem ritmo antes do B50

As exportações indonésias de óleo de palma cresceram apenas 2,5%, para 11,28 milhões de toneladas, no primeiro semestre de 2026, enquanto os embarques de óleo bruto caíram cerca de 20% em junho. O mandato B50, em vigor desde julho, poderá exigir mais 1,9 milhão de toneladas para o mercado interno.

Exportações de óleo de palma da Indonésia perdem ritmo antes do B50

Volume exportado registra crescimento limitado

As exportações de óleo de palma da Indonésia perderam força no primeiro semestre de 2026, enquanto o maior produtor mundial se preparava para direcionar mais matéria-prima ao programa doméstico de biodiesel. Dados da agência de estatísticas BPS, publicados pelo Jakarta Globe, mostram que o volume embarcado entre janeiro e junho cresceu apenas 2,5% em relação ao ano anterior, para 11,28 milhões de toneladas.

A receita de exportação chegou a US$ 12,27 bilhões, alta de 7,3% ante US$ 11,43 bilhões no período correspondente. O ritmo ficou bem abaixo do primeiro semestre de 2025, quando o crescimento alcançou 24,8%. A diferença entre a evolução da receita e a do volume indica que os preços ou a composição dos embarques sustentaram os ganhos, apesar do aumento físico modesto.

Embarques caem em junho antes do efeito do B50

A desaceleração ficou mais evidente em junho. A receita com exportações de óleo de palma bruto recuou 0,4%, para US$ 393,7 milhões, enquanto o volume caiu cerca de 20%, para 335,4 mil toneladas. A forte redução ocorreu antes de o novo padrão B50 aparecer nas estatísticas oficiais.

O vice-chefe do BPS, Ateng Hartono, afirmou que os relatórios disponíveis ainda não incluíam os efeitos do B50, que entrou em vigor em julho. A política elevou de 40% para 50% a participação do óleo de palma na mistura indonésia de biodiesel. Segundo Hartono, o impacto concreto deverá ficar mais claro nos próximos meses e dependerá da produção, da oferta total, da demanda interna e dos preços globais.

Biodiesel disputa matéria-prima com as exportações

A Associação Indonésia de Óleo de Palma, Gapki, estima que o mandato B50 exigirá cerca de 1,9 milhão de toneladas adicionais de produto bruto para o mercado doméstico. O consumo total de óleo de palma no programa governamental de biodiesel poderá atingir 14,6 milhões de toneladas. O uso interno em combustíveis passa, assim, a competir diretamente com os compradores internacionais.

A Gapki alerta que as exportações poderão cair fortemente se o crescimento da produção não cobrir o aumento das necessidades domésticas. O mandato cria um grande canal de vendas apoiado pelo governo para produtores e processadores, mas pode reduzir o produto disponível aos exportadores. Importadores e processadores de óleos vegetais fora da Indonésia deverão acompanhar as safras, os estoques e os dados mensais de embarques. O B50 busca reduzir a dependência indonésia de combustíveis fósseis importados, mas seu impacto mundial dependerá de a produção de óleo de palma acompanhar o aumento do consumo de biodiesel.

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