Exportações gregas de azeitona de mesa caem pela primeira vez em uma década
As exportações gregas de azeitona de mesa caíram cerca de 1% em valor e 2,25% em volume no primeiro semestre de 2026, encerrando dez anos de crescimento contínuo. O recuo vem após o recorde de 2025, com 282.000 toneladas e 872 milhões de euros, e é atribuído às tarifas dos Estados Unidos, à demanda mais fraca na União Europeia e à concorrência de preço do Egito.
As exportações gregas de azeitona de mesa recuaram no primeiro semestre de 2026, interrompendo uma década de crescimento contínuo do principal produto de exportação do setor agroalimentar grego, segundo o Kathimerini. As vendas externas caíram cerca de 1% em valor e 2,25% em volume na comparação com o mesmo período do ano anterior, e as estimativas para o ano inteiro não são otimistas.
Os dados foram apresentados por Kostas Zoukas, presidente da União Pan-Helênica de Processadores, Envasadores e Exportadores de Azeitona de Mesa (PEMETE), no congresso anual da Associação Pan-Helênica de Exportadores. O recuo vem logo após um ano recorde: em 2025 a Grécia exportou 282.000 toneladas de azeitona de mesa, no valor de 872 milhões de euros. O Kathimerini descreve a combinação atual de pressões como uma tempestade perfeita.
Turbulência tarifária no maior mercado
Os Estados Unidos são o maior mercado para o produto grego e a principal origem da queda. As tarifas norte-americanas e, sobretudo, a instabilidade causada pelas sucessivas mudanças na política tarifária do governo Trump, que chegou a provocar cancelamentos de pedidos, reduziram em 6% as exportações de azeitona de mesa para o país, segundo o Kathimerini. No primeiro semestre de 2026 houve nova queda de 5%.
A demanda dentro da União Europeia é o segundo fator de pressão. A crise inflacionária e a perda de poder de compra no bloco reduzem os pedidos dos maiores mercados, com a Alemanha como exemplo mais claro. Pedidos menores dos grandes compradores europeus se refletem diretamente nos volumes de processamento e envase na Grécia.
Egito ganha participação na Austrália
A Grécia é, desde 2007, a principal fornecedora de azeitona de mesa da Austrália e ainda detém 79% daquele mercado em valor. Agora perde espaço para o Egito, cuja azeitona de mesa tem preço bastante mais baixo. A participação egípcia subiu para 17,5%, ante apenas 3,1% há três anos, de acordo com os dados apresentados no congresso. É o sinal mais claro de que a posição exportadora do setor está sendo testada pelo preço, e não por qualidade ou disponibilidade.
Acordo com o Mercosul fecha uma porta, Índia abre outra no longo prazo
O acordo da UE com os países do Mercosul é outra preocupação do setor. O texto prevê a eliminação gradual das tarifas sobre a azeitona de mesa originária dos países do Mercosul em um prazo de sete anos, a partir do nível atual de 12,8%. As azeitonas de mesa europeias, por outro lado, continuarão sujeitas a tarifas de cerca de 12,6%. As expectativas iniciais de que o acordo abriria o Brasil ao produto grego, o segundo país em consumo de azeitona depois dos Estados Unidos, agora se dissipam.
A composição das importações brasileiras mede a distância: a Argentina responde por 50% das importações de azeitona do país, o Egito por 25% e o Peru por 20%, enquanto a Grécia fica abaixo de 1%.
O interesse do setor se volta agora para a Índia, após a assinatura em janeiro do acordo de livre comércio entre a União Europeia e aquele país. A Índia importa hoje apenas 5.000 toneladas de azeitona, em um mercado que o Kathimerini descreve como de 2 bilhões de habitantes, o que indica amplo espaço de crescimento, mas apenas no longo prazo.
Estoques altos no início da nova safra comercial
A consequência imediata é que o setor entra na nova temporada comercial com estoques elevados de azeitona, especialmente da variedade Chalkidiki. Esse excedente deve pressionar os preços para baixo à medida que a nova colheita passa por processadores e envasadores.
Em paralelo, a produção grega de queijo feta registrou forte queda, atribuída a surtos de doenças animais.