Exportações brasileiras de amendoim desaceleram antes do fim do ano
As exportações brasileiras de amendoim em grão caíram em agosto de 2026 pelo segundo mês consecutivo, enquanto as de óleo recuaram pelo terceiro. O volume de grãos ainda supera o ano anterior em 20%, mas a receita conjunta baixou para US$ 378 milhões.
Desaceleração chega antes do período habitual
As exportações brasileiras de amendoim em grão e óleo de amendoim voltaram a cair em agosto de 2026, antecipando uma desaceleração que normalmente ocorre mais perto do fim do ano. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços citados pelo Notícias Agrícolas mostram que os embarques de grãos recuaram pelo segundo mês consecutivo e os de óleo, pelo terceiro.
O momento é incomum para o setor. Historicamente, os volumes exportados nesta época do ano ficam estáveis ou aumentam. Os números mais recentes levantam dúvidas sobre o ritmo dos embarques nos últimos meses de 2026, embora o desempenho acumulado seja bastante diferente entre as duas categorias.
Grãos mantêm avanço, mas óleo fica para trás
Entre janeiro e agosto, o volume brasileiro exportado de amendoim em grão ficou 20% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Segundo o Notícias Agrícolas, se a média mensal for mantida, o país poderá encerrar 2026 com novo recorde de exportação de grãos. As duas quedas mensais ainda não anularam o forte início do ano.
O cenário do óleo de amendoim é mais fraco. O volume acumulado ficou 24% abaixo do ano anterior, embora o Brasil ainda deva exportar mais de 125 mil toneladas no ano. O resultado continuaria relevante na série histórica do país, mas os três meses de queda indicam menor demanda imediata ou perda de competitividade comercial.
A principal pressão vem dos preços de exportação, e não do volume físico total. A receita conjunta dos embarques de grãos e óleo somou US$ 378 milhões entre janeiro e agosto, ante US$ 396 milhões no mesmo período do ano passado. Os exportadores receberam menos apesar do expressivo crescimento anual do volume de grãos.
Preços não acompanham o aumento dos custos internos
Os preços internacionais do amendoim em grão e do óleo sobem lentamente, mas a melhora ainda não recuperou a rentabilidade da cadeia brasileira. Em reais por tonelada, os preços atuais de exportação dos grãos estão 34% abaixo do nível de 2021, enquanto os do óleo estão 38% menores. Os custos de produtores, beneficiadores e exportadores aumentaram no mesmo período, segundo o Notícias Agrícolas.
Na origem, o amendoim é negociado atualmente entre R$ 72 e R$ 78 por saca de 25 quilos. Esse valor não cobre os custos de produção de uma parcela relevante dos agricultores. As empresas que compram a safra para beneficiar, processar e exportar também operam com margens negativas ou próximas de zero, principalmente no óleo. O mercado interno desaquecido oferece pouco alívio.
O setor também enfrenta juros elevados, restrições de crédito, custo do diesel, oscilações cambiais, riscos climáticos e falta de seguro agrícola. Essas pressões limitam a capacidade dos produtores de financiar a próxima safra e tornam os processadores mais cautelosos nas compras e na formação de estoques. Guerras e tarifas adicionam incerteza ao planejamento das exportações.
Os produtores podem reduzir custos e elevar a produtividade com boas práticas agrícolas, manejo integrado de pragas, semeadura na palha e gestão mais rigorosa. Beneficiadores e exportadores podem diversificar a demanda com promoção no mercado interno, marketing externo e rastreabilidade. O resultado no fim do ano dependerá da estabilização dos embarques de grãos e da capacidade da alta gradual dos preços internacionais de compensar os custos maiores no Brasil.