Exportações agrícolas russas para a Mongólia crescem 2,3 vezes com novo acordo comercial
A Rússia enviou à Mongólia mais de 260 mil toneladas de produtos agropecuários, avaliadas em mais de US$ 145 milhões, no primeiro semestre de 2026. Um acordo temporário entre a UEE e a Mongólia, em vigor desde 22 de julho, reduz ou elimina tarifas de importação para uma ampla lista de mercadorias.
Embarques mais que dobram no primeiro semestre
A Rússia exportou para a Mongólia mais de 260 mil toneladas de produtos agropecuários no primeiro semestre de 2026, segundo o centro federal Agroexport. O volume atingiu 2,3 vezes o registrado no mesmo período de 2025, enquanto a receita cresceu 1,3 vez e superou US$ 145 milhões.
A diferença entre o avanço do volume e o da receita indica que a expansão foi parcialmente sustentada por produtos de grande tonelagem e menor valor relativo. O trigo liderou as vendas, com US$ 28 milhões. Produtos de confeitaria à base de farinha responderam por cerca de US$ 14 milhões, e carne e miudezas comestíveis de suíno, por mais de US$ 11 milhões.
Acordo temporário reduz barreiras de mercado
O acordo comercial temporário entre a União Econômica Eurasiática e a Mongólia entrou em vigor em 22 de julho de 2026, após a conclusão dos procedimentos de ratificação necessários. Assinado em Minsk em 27 de junho de 2025, o documento representa a primeira etapa da criação de um regime comercial preferencial. O prazo inicial é de três anos, com possibilidade de prorrogação por mais três.
A AK&M, citando a Agroexport, informou que fornecedores russos terão melhor acesso ao mercado por meio da redução ou eliminação total das tarifas de importação mongóis sobre uma ampla lista de produtos. Os principais benefícios agrícolas são esperados para produtores de lácteos, carne suína, produtos avícolas, grãos, óleo vegetal, confeitaria e bebidas. Esses setores poderão competir com uma carga tarifária menor, embora o resultado comercial dependa da logística, dos custos de conformidade e da demanda disponível na Mongólia.
O Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia estimou anteriormente que o regime preferencial cobriria 90% do comércio bilateral. Segundo o ministério, 89% das exportações russas, incluindo alimentos, fertilizantes, produtos poliméricos, determinados metais ferrosos e veículos automotores, entrarão na Mongólia sem tarifas. Para as mercadorias incluídas, a tarifa média mongol deverá cair de 6% para 0,2%, permitindo uma economia de até 8 bilhões de rublos por ano para as empresas russas.
Exclusões, cotas e regras de origem permanecem
O acordo não prevê liberalização total. As tarifas atuais permanecem inalteradas para a maioria dos animais vivos, carne bovina, peixes e frutos do mar, hortaliças, uma parcela significativa das frutas, café, chá verde, extratos e aditivos alimentares e vários produtos processados de carne. Os fornecedores dessas categorias, portanto, não recebem vantagem tarifária imediata.
As alíquotas preferenciais só se aplicam quando os exportadores cumprem todas as condições do acordo, incluindo a comprovação de origem e as demais regras do regime. Nos produtos sujeitos a cotas tarifárias, as alíquotas reduzidas ficam limitadas aos volumes acordados. Para processadores e comerciantes russos, a gestão de documentos e cotas será tão importante quanto a própria redução tarifária. O forte crescimento do trigo, da confeitaria e da carne suína mostra que o corredor já se expandia antes da entrada em vigor; o próximo teste será transformar as novas preferências em vendas sustentáveis de produtos de maior valor.