Exportações agrícolas russas para a China crescem 44%, mas barreiras persistem
As exportações russas de alimentos para a China cresceram 44% em termos anuais no primeiro semestre de 2026, após se aproximarem de US$ 8 bilhões em 2025. Pescado, óleos vegetais, grãos e carnes impulsionam o avanço, mas certificação, tarifas e logística limitam o acesso ao mercado.
Vendas aceleram após chegarem perto de US$ 8 bilhões
As exportações russas de alimentos para a China cresceram 44% em valor no primeiro semestre de 2026, em comparação com janeiro-junho de 2025, segundo dados do centro Agroexport, do Ministério da Agricultura da Rússia, citados pelo KazanFirst. O avanço veio após as exportações agrícolas russas para a China atingirem quase US$ 8 bilhões em 2025.
Pescado e frutos do mar continuam sendo o maior segmento. Os embarques se aproximaram de US$ 3 bilhões em 2025, com o peixe congelado respondendo por 49% do valor das exportações pesqueiras russas ao país e os crustáceos, por 41%. Os óleos vegetais são outro motor importante: as vendas cresceram quase seis vezes desde 2018 e superaram US$ 2 bilhões em 2025. A Rússia forneceu 61% das importações chinesas nas categorias de óleos vegetais mencionadas, incluindo 67% das compras de óleo de colza.
Grãos e carnes ganham espaço
As exportações russas de grãos e leguminosas para a China aumentaram 15 vezes em cinco anos e atingiram US$ 773 milhões em 2025, afirmou o diretor do Agroexport, Ilya Ilyushin. Os embarques incluíram 1,2 milhão de toneladas de ervilha, 525 mil toneladas de cevada e 500 mil toneladas de milho. A China, porém, permite a importação de cevada russa de apenas sete regiões. As áreas produtoras do mar Negro, capazes de fornecer grandes volumes, permanecem fora da lista autorizada.
A restrição reduz a participação russa em um mercado chinês com demanda anual de 10 milhões de toneladas de cevada, incluindo 7-8 milhões de toneladas de cevada para ração, segundo Li Wei, da China Overseas Agricultural Industry Development Alliance. A China também não autoriza atualmente a farinha de trigo russa, embora a tarifa de importação seja de 3% e o imposto sobre valor agregado seja zero.
As exportações de carne superaram US$ 680 milhões em 2025, mais que o dobro do nível registrado cinco anos antes. Os embarques de carne de aves atingiram US$ 370 milhões e representaram 24% das importações chinesas da categoria. A Rússia também exportou mais de 76 mil toneladas de carne suína, no valor de US$ 191 milhões. No primeiro semestre de 2026, o volume chegou a 57 mil toneladas, alta anual de 62%.
Custos, normas e logística limitam a expansão
As tarifas de exportação reduzem a competitividade russa em duas culturas em crescimento. A Rússia aplica uma tarifa de 5% à ervilha, enquanto o produto canadense chega à China sem restrição comparável. A tarifa de 10% sobre a linhaça também prejudica os exportadores russos na disputa com o Cazaquistão, afirmou Li Wei.
As diferenças entre os padrões russos e chineses para conteúdo geneticamente modificado criam outro risco. A alfândega chinesa devolveu em várias ocasiões cargas russas de óleo de colza e incluiu 25 exportadores em sua lista de suspensão. A falta de reconhecimento mútuo dos certificados também aumenta os custos aduaneiros e o risco de atrasos e penalidades.
A infraestrutura comercial impõe obstáculos adicionais. Xia Yan, presidente do conselho da Efoodline Network Technology, apontou o excesso de intermediários, a fragmentação da cadeia de frio e a ausência de um canal eficiente para pequenos pedidos diretos ao consumidor. Ele estimou que entre 3% e 5% dos produtos vendidos nos supermercados russos poderiam atender ao mercado chinês, mas o modelo convencional de contêineres completos deixa boa parte desse potencial inacessível.
Alimentos processados e laticínios mostram tanto a oportunidade quanto a defasagem. As exportações de produtos preparados dobraram desde 2018, mas ficaram pouco acima de US$ 150 milhões em 2025. Os laticínios somaram 9 mil toneladas e US$ 14 milhões, liderados por soro de leite, leite integral em pó e sorvete. O crescimento futuro dependerá não apenas da demanda chinesa, mas da ampliação das autorizações, da compatibilidade entre certificados e da redução dos custos de entrega.