Exportadores russos de carne miram Filipinas, Ásia e África
As exportações russas de carne suína podem alcançar 440 mil toneladas em 2026, ante 400 mil toneladas no ano anterior. Filipinas, China e África oferecem crescimento, mas fatores políticos, menor poder de compra e crédito caro limitam o setor.
Filipinas abrem um novo canal de vendas
Os exportadores russos de carne suína podem faturar entre 50 milhões e 60 milhões de dólares com vendas às Filipinas em 2026, segundo o Rambler Finance. Os produtores russos receberam autorização para entrar nesse mercado no fim de 2025, e o país asiático já responde por 7% das exportações russas do produto.
A oportunidade é relevante, mas apenas empresas aprovadas podem aproveitá-la. Serguei Yushin, dirigente da Associação Nacional da Carne, afirmou que nem todas as unidades russas estão autorizadas a fornecer ao mercado filipino. Dados do Agroexport citados na reportagem mostram que as Filipinas importaram mais de 1,2 bilhão de dólares em carne suína em 2025. Há, portanto, espaço para os fornecedores credenciados crescerem, desde que encontrem compradores e cumpram as exigências veterinárias.
As exportações russas de carne suína devem chegar a 440 mil toneladas em 2026, ante 400 mil toneladas no ano anterior. Considerando todos os tipos de carne, o país exportou mais de 1 milhão de toneladas, no valor de 2,5 bilhões de dólares, em 2025. O setor superou a fase concentrada apenas na substituição de importações e depende cada vez mais da demanda externa para absorver a produção adicional.
China e África ampliam a diversificação
A China continua entre os destinos mais importantes. A receita russa com produtos da suinocultura enviados ao país atingiu 41 milhões de dólares nos primeiros cinco meses do ano informado, valor 1,6 vez superior aos 25,5 milhões de dólares do mesmo período anterior. A Rússia tornou-se, assim, a quarta maior fornecedora de carne suína da China, ultrapassando a Dinamarca.
O comércio de carne de frango com a China apresenta um quadro mais misto. As vendas russas somaram 35,5 milhões de dólares em julho, 1,8 vez o resultado de junho. Entretanto, a receita dos primeiros sete meses caiu de 270,6 milhões de dólares no ano anterior para 166,1 milhões de dólares. Mesmo assim, a Rússia permaneceu como a segunda maior fornecedora de carne de frango à China, atrás do Brasil.
Os mercados africanos são outra fonte de expansão. Segundo Yushin, os embarques para países da África crescem dezenas ou até centenas por cento, embora as fontes disponíveis não indiquem volumes absolutos. A Rússia também negocia o acesso da carne suína à Indonésia e mantém interesse na Coreia do Sul e no Japão. As conversas com esses dois últimos mercados avançam lentamente e podem ser suspensas por motivos políticos.
Mercado interno se aproxima do limite
Yuri Kovalev, diretor-geral da União Nacional dos Produtores de Suínos, disse à NSN que a suinocultura russa crescia anteriormente entre 5% e 10% ao ano. Desde 2025, porém, o setor se aproxima do volume máximo que os canais comerciais existentes conseguem absorver. O avanço da produção passa, portanto, pela abertura de novos mercados externos, e não apenas pelo consumo doméstico.
Kovalev apontou o poder de compra das famílias como uma segunda limitação. A redução do consumo interno tornaria as exportações ainda mais importantes, mas os produtores precisam desenvolvê-las em meio ao crédito caro e aos custos crescentes. Essa combinação pode desacelerar investimentos em granjas, processamento e capital de giro para cadeias internacionais mais longas.
Acesso aos mercados vira o principal gargalo
O desafio imediato já não consiste apenas em produzir mais carne. O setor precisa obter autorizações nacionais, credenciar unidades individualmente e manter sistemas viáveis de pagamento e logística. A abertura da China e das Filipinas mostra o valor comercial do acesso. Já as negociações lentas com Coreia do Sul, Japão e Indonésia revelam quanto tempo a diversificação pode exigir.
Para produtores e processadores, atingir as 440 mil toneladas previstas ajudaria a preservar a utilização da capacidade diante da estagnação do mercado interno. Para os importadores, a Rússia surge como uma fonte adicional de carne suína e de frango. O ritmo da expansão dependerá de novas autorizações capazes de compensar, em tempo hábil, a pressão sobre a demanda doméstica, o custo financeiro e as restrições políticas.