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Êxodo de viticultores agrava crise do vinho em Riverland

Preços baixos da uva e o excedente persistente de vinho estão levando produtores de Riverland, na Austrália Meridional, a deixar o setor. A redução da capacidade pode aproximar oferta e demanda, mas também enfraquece a base produtiva regional.

Êxodo de viticultores agrava crise do vinho em Riverland

Nova safra difícil começa com a saída de produtores

A indústria vinícola de Riverland, na Austrália Meridional, caminha para outra safra difícil enquanto produtores abandonam vinhedos ou se preparam para deixar a atividade. O The Chronicle relata que o êxodo está aumentando em uma região já afetada pela fraca demanda por uvas e pela baixa rentabilidade. As saídas ameaçam reduzir a capacidade dos vinhedos e mudar a base de fornecedores de uma das principais áreas australianas de produção de vinho em grande escala.

A pressão aparece nos números mais recentes da colheita. Segundo o Murray Pioneer, Riverland produziu 339.195 toneladas de uvas para vinho em 2026, queda de 16% ante 2025 e volume 25% inferior à média de cinco anos. O esmagamento nacional da Austrália caiu para 1,27 milhão de toneladas, o menor resultado desde 2000 e 25% abaixo da média de dez anos. A Austrália Meridional, ainda assim, permaneceu como o maior estado produtor de vinho do país.

Preços continuam abaixo dos custos

Para muitas propriedades, o problema imediato é a diferença entre o preço da uva e o custo de manutenção do vinhedo. A Riverland Wine informou que as primeiras indicações para a shiraz da safra de 2026 estavam entre A$80 e A$120 por tonelada, enquanto os custos de produção superavam A$350 por tonelada. Os preços das uvas brancas também haviam despencado. Nesses níveis, colher mais fruta pode ampliar o prejuízo, em vez de gerar recursos para dívidas, máquinas, irrigação e manutenção.

O desequilíbrio se prolonga por várias safras. A ABC News informou em 2024 que algumas vinícolas de Riverland ofereciam apenas A$120 por tonelada, enquanto o custo estimado de produção era de cerca de A$300. Uma pesquisa realizada pela Riverland Wine em 2023 mostrou que 20% dos produtores locais avaliavam deixar o setor nos anos seguintes. A entidade alertou depois que as vinícolas não esperavam recuperação da demanda ou dos preços na safra de 2026, porque a Austrália e o mercado mundial ainda acumulavam um excedente expressivo de vinho.

As tarifas chinesas sobre o vinho australiano contribuíram para a formação inicial dos estoques de vinho tinto. Mudanças nos hábitos de consumo e condições globais difíceis acrescentaram pressão. Mesmo que o ambiente comercial melhore, a oferta dos vinhedos não pode ser ajustada rapidamente sem consequências financeiras. As videiras exigem gastos contínuos mesmo quando as uvas não podem ser vendidas com lucro; a remoção ou conversão para outras culturas também requer capital.

Planos de saída podem acelerar a reestruturação

Tentativas anteriores de ajustar a capacidade mostram a dificuldade de organizar uma contração ordenada. Em 2024, a Riverland Wine propôs um programa financiado pelo governo que pagaria A$4.000 por hectare para remover até 3.000 hectares de videiras. A Accolade Wines ofereceu separadamente aos membros da CCW Co-operative A$4.000 por hectare para encerrar contratos de uvas tintas, reduzir os acordos de fornecimento de 15 para 10 anos e cortar em 20% os volumes recebidos. Segundo a ABC News, os produtores rejeitaram a proposta por 314 votos contra 17.

Desde então, a Riverland Wine pede apoio tanto para os produtores que desejam continuar quanto para aqueles que pretendem sair. As propostas incluem auxílio para remoção de videiras, adaptação dos negócios e controle dos riscos de áreas abandonadas, como problemas de biossegurança e perda do valor das terras. A entidade também recomenda avaliar culturas alternativas e alinhar melhor a produção dos vinhedos à demanda das vinícolas.

O êxodo reduzirá a disponibilidade de uvas para os processadores, mas a menor capacidade, isoladamente, não garante preços mais altos. As vinícolas ainda enfrentam estoques excedentes e consumo incerto, enquanto os produtores remanescentes terão de cobrir custos fixos em um mercado menor e possivelmente mais volátil. A questão central é se as videiras serão removidas em uma transição coordenada ou se as propriedades serão abandonadas sem gestão. Isso determinará quanto de terra produtiva, infraestrutura e conhecimento especializado permanecerá quando a demanda por vinho se estabilizar.

Análise completa do mercado

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