Excesso de capacidade de etanol na Índia ameaça ₹1 trilhão em empréstimos
A capacidade anual de etanol da Índia pode chegar a 24 bilhões de litros, diante de uma demanda efetiva de cerca de 15,5 bilhões. O excedente crescente reduz a utilização das usinas e expõe aproximadamente ₹1 trilhão em empréstimos bancários.
Capacidade cresce mais rápido que o consumo
A rápida expansão da produção de etanol na Índia ampliou a distância entre capacidade instalada e demanda, gerando preocupação com a utilização das usinas e com a segurança de aproximadamente ₹1 trilhão em empréstimos bancários ao setor. Segundo o Jagran, o país tem cerca de 478 usinas e capacidade anual instalada entre 20 bilhões e 20,19 bilhões de litros, liderada por Maharashtra, Uttar Pradesh e Karnataka.
A expansão continua apesar do excedente. Um relatório da CARE Edge Ratings citado pelo Jagran prevê a adição de outros 4 bilhões de litros de capacidade anual durante o atual ano fiscal, elevando o total para cerca de 24 bilhões. O volume seria mais de quatro vezes superior aos aproximadamente 4,21 bilhões de litros registrados em 2014. Participantes do setor também afirmam que estão sendo preparados projetos para mais 7 bilhões a 8 bilhões de litros por ano.
A demanda cresce em ritmo muito menor. A Índia deverá precisar de cerca de 12 bilhões de litros para a mistura da gasolina E20 no atual ano fiscal. Os setores industrial, farmacêutico e químico podem consumir, no máximo, outros 3,5 bilhões de litros, levando a demanda efetiva total para aproximadamente 15,5 bilhões. Se a capacidade chegar a 24 bilhões de litros, a diferença será de cerca de 8,5 bilhões antes mesmo de considerar variações de matéria-prima, localização e viabilidade econômica das usinas.
Política do E20 limita o risco imediato
A gasolina E20 é vendida continuamente em toda a Índia desde dezembro de 2025, segundo o Jagran, mas nem mesmo a adoção nacional absorveu a capacidade produtiva disponível. O excedente ajuda a explicar por que o governo rejeitou propostas para retomar a gasolina pura E0 ou a E10, que contém 10% de etanol. Uma redução da mistura diminuiria as compras de etanol e poderia ameaçar empréstimos e investimentos equivalentes a centenas de bilhões de rupias.
O debate sobre a política, porém, continua. O Ministério do Petróleo descartou o retorno ao E10 ou ao E0, enquanto o principal assessor econômico, V. Anantha Nageswaran, recomendou que os dois combustíveis voltassem a ser oferecidos. Após o conflito na Ásia Ocidental, o governo central indicou em abril de 2026 que elevaria os volumes de mistura. O ministério também anunciou que o E85, com 85% de etanol, seria lançado em 500 postos até dezembro de 2026, embora a controvérsia posterior sobre o E20 pareça ter desacelerado os preparativos.
Fontes do setor citadas pelo Jagran avaliam que a capacidade existente só poderá ser plenamente utilizada se a Índia adotar o E30 ou misturas superiores. As projeções atuais indicam demanda de apenas 16 bilhões de litros em 2029-2030, com crescimento gradual. Por esses números, a demanda no fim da década ainda permaneceria bem abaixo da capacidade potencial prevista para o atual ano fiscal.
Exportações oferecem uma saída estreita
As exportações poderiam aliviar parte da pressão, mas as restrições e o baixo volume de vendas externas ainda impedem que sejam uma solução suficiente. A Índia proíbe a exportação de etanol produzido com cana-de-açúcar, milho e cereais. As exportações de etanol feito com resíduos agrícolas e biomassa são permitidas desde setembro de 2025, mas o Jagran relata pouco avanço por esse canal.
Os embarques para Tanzânia, Angola, Quênia, Iraque e Nepal somaram apenas cerca de 100 milhões de litros, um volume pequeno diante do excedente de capacidade doméstica. Representantes do setor pedem que o governo explore oportunidades por meio de conversas com mercados como Nepal e Indonésia. Sem uma adoção mais rápida do E30 e de misturas superiores, ou sem canais de exportação mais amplos, usinas subutilizadas podem enfrentar menor geração de caixa. Os bancos continuarão expostos a tomadores cujos planos de investimento pressupunham vendas maiores de etanol.