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Excedente mundial de vinho agrava-se com consumo no mínimo de 60 anos

O consumo mundial de vinho caiu para o nível mais baixo em 60 anos, agravando o excesso de oferta e a pressão sobre os preços. Vários países reduzem vinhas, enquanto Portugal financia compradores e reforça a rastreabilidade.

Excedente mundial de vinho agrava-se com consumo no mínimo de 60 anos

Produtores reduzem vinhas perante a quebra da procura

O consumo mundial de vinho caiu para o nível mais baixo em 60 anos, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho, deixando no mercado mais produto do que a procura consegue absorver. O Jornal Económico noticia que o excesso de oferta, a mudança dos hábitos de consumo e a instabilidade económica e geopolítica estão a pressionar os preços e as margens da fileira.

O ajustamento já chegou às vinhas. França está a arrancar videiras, enquanto Alemanha e Áustria avançam com medidas para alinhar a produção com a procura. Austrália e Estados Unidos também estão a reduzir capacidade produtiva. Estas decisões indicam que os produtores já não veem o desequilíbrio como um problema temporário de existências.

A redução do consumo e os stocks acumulados transmitem pressão sobre os preços a toda a cadeia, das adegas e comerciantes aos viticultores. A redução da área de vinha poderá limitar a produção no futuro, mas impõe primeiro custos aos produtores e às regiões cujos rendimentos e estruturas de transformação dependem dos volumes atuais.

Portugal apoia compradores e viticultores

Portugal tem resistido melhor do que alguns produtores europeus, mas continua exposto à contração mundial. A produção nacional recupera este ano e as uvas apresentam bons níveis de açúcar, acidez e maturação. A questão comercial é saber se haverá compradores para o vinho resultante, uma vez que cerca de metade da produção portuguesa é vendida nos mercados externos.

O Governo anunciou uma linha de crédito de 110 milhões de euros para compradores de uva, permitindo financiar aquisições aos viticultores. Criou ainda um apoio extraordinário de 12 milhões de euros para produtores do Douro que não encontrem comprador e destinou 5 milhões de euros à reestruturação de vinhas afetadas pelas tempestades do início do ano.

A Confederação dos Agricultores de Portugal considera que os apoios devem ir além do Douro e abranger todas as regiões vitivinícolas. A organização argumenta que a quebra do consumo, o excesso de existências, os custos de produção e a descida dos preços atingem toda a fileira. O secretário-geral da CAP, Luís Mira, saudou o apoio ao Douro, mas afirmou que os produtores das restantes regiões não podem ser esquecidos.

Importações, rotulagem e rastreabilidade digital

A CAP reclama também mais fiscalização, controlo e rastreabilidade integral do vinho espanhol a granel. Não contesta as importações legais nem a livre circulação de mercadorias, mas considera que a entrada de vinho abaixo dos custos de produção portugueses aumenta a pressão e pode criar concorrência desleal. Segundo a CAP, os agricultores espanhóis recebem apoios para energia, combustíveis, fertilizantes e outros fatores de produção mais de 30 vezes superiores aos apoios comparáveis em Portugal.

Francisco Toscano Rico, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, reconheceu a pressão das importações, mas indicou que nos últimos dois anos entraram em Portugal cerca de 100 milhões de litros menos do que a média de 2019-2023. Os dados disponíveis até junho apontam para o nível de importações mais baixo em sete anos.

O instituto está a desenvolver uma rastreabilidade digital de todo o vinho comercializado em Portugal, desde a uva portuguesa ou o vinho que atravessa a fronteira até ao destino final. Previsto para mais tarde este ano, o sistema recorrerá a sistemas de informação, inteligência artificial e interoperabilidade de dados com a Autoridade Tributária. O novo Observatório da Vinha e do Vinho reunirá igualmente informação sobre produção, entradas, exportações e condições de mercado.

Portugal aumentou o financiamento público da promoção internacional dos vinhos de 50% para 60% e simplificou o acesso de pequenos projetos. As regras de transparência introduzidas em 2024 obrigam ainda os vinhos que misturam produto português com vinho de outros países da UE a destacar melhor as diferentes origens. Toscano Rico afirmou que as vendas destas misturas caíram cerca de 20% no ano seguinte, enquanto as de vinho 100% português recuaram apenas 2,5%.

Análise completa do mercado

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