Circana: gasto com álcool cai 0,8 % na Europa e alternativas sem álcool crescem 7,3 %
Um estudo da Circana em seis mercados europeus mostra que entre junho de 2025 e junho de 2026 o gasto com bebidas subiu 2,9 %, para 180 mil milhões de euros, enquanto os volumes avançaram apenas 0,5 %. O gasto com álcool recuou 0,8 % e as alternativas com baixo teor ou sem álcool cresceram 7,3 %. A Alemanha foi o único mercado com queda de volume, de 2,7 %.
Os consumidores europeus gastam mais em bebidas mas compram quase a mesma quantidade, e o álcool perde espaço no cesto. Um estudo da Circana referente ao período de junho de 2025 a junho de 2026 em França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha e Reino Unido — os seis maiores mercados europeus de grande consumo — aponta um gasto total com bebidas de 180 mil milhões de euros, mais 2,9 %, enquanto os volumes subiram apenas 0,5 %. Os preços médios aumentaram 2,3 %, o que explica a maior parte do crescimento em valor. Os resultados foram divulgados pela Gazzetta del Gusto.
O álcool recua em todas as categorias
Nos seis mercados, o gasto com bebidas alcoólicas caiu 0,8 %, enquanto as vendas de alternativas com baixo teor ou sem álcool subiram 7,3 %. A queda distribuiu-se de forma bastante uniforme: cerveja 0,9 %, cidra 1,2 %, vinho 1,5 % e destilados 2,2 %.
A pressão promocional não inverteu a tendência. No período analisado, cerca de 41 % da cerveja e 37 % das bebidas alcoólicas no conjunto foram vendidos em promoção, contra 25 % no total do setor de bebidas. Ainda assim, apenas 15 % dos inquiridos disseram estar a comprar mais álcool.
O comportamento declarado aponta no mesmo sentido. Metade dos consumidores entre os 25 e os 39 anos afirmou ter reduzido o consumo de álcool e, no conjunto da amostra, 43 % dizem comprar menos, adiar a compra ou prescindir dela por completo.
A Circana sublinha que o dado do vinho não corresponde a uma simples troca por garrafas mais baratas. Parte dos consumidores está a optar por beber menos álcool ou a migrar para outras categorias, ao mesmo tempo que se multiplicam ocasiões de consumo, formatos e produtos intermédios.
Para onde vai o dinheiro
As vendas de bebidas sem álcool cresceram 5,4 %, para 109 mil milhões de euros. Entre os inquiridos, 44 % compram mais água engarrafada, 31 % mais sumos e smoothies e 29 % mais chá e café; crescem também as bebidas energéticas, as desportivas e os produtos à base de iogurte. Em volume, as categorias mais dinâmicas foram os destilados prontos a beber, com 12,9 %, as bebidas à base de iogurte, com 12,3 %, e a água sem gás e as bebidas vegetais, ambas com 5,2 %.
Os lançamentos geraram 242 milhões de euros de vendas adicionais no último ano. Desse total, 161 milhões de euros vieram de bebidas à base de leite, enquanto os produtos com baixo teor ou sem álcool e a água engarrafada contribuíram com 32 milhões de euros cada.
Mercados divergem em preço e volume
A Itália acompanhou a média europeia em valor mas não em volume: o gasto subiu 2,9 % e as quantidades compradas mantiveram-se praticamente estáveis. Em Espanha os preços subiram 2,4 % e os volumes 2,6 %, e em França o aumento do gasto assentou sobretudo nas maiores quantidades adquiridas. A Alemanha foi o único dos seis mercados a registar queda de volume, de 2,7 %, acompanhada de uma subida de preços de 4 %.
As marcas próprias representam já 35 % do gasto total com bebidas nos mercados analisados. Estão a ganhar terreno mesmo em categorias tradicionalmente ligadas à força da marca e à reputação do produtor, entre elas o café, o vinho e o champanhe.
Mudança geracional, não fase do ciclo
Segundo Ananda Roy, Senior Vice President Strategic Growth Insights da Circana, nos últimos cinco ou seis anos o álcool foi perdendo atratividade e as novas gerações mostram hábitos diferentes dos anteriores. Roy observa ainda que, de momento, não há sinais de que os consumidores mais jovens aumentem o consumo à medida que envelhecem, o que coloca a questão, para o setor alcoólico, para além de uma fase conjuntural.
Para o vinho a combinação é exigente: menor consumo de álcool, maior sensibilidade ao preço, proliferação de alternativas e novas expectativas quanto a teor alcoólico, açúcares e calorias. O vinho continuará a ter um papel importante nos hábitos europeus, mas os dados da Circana indicam que a concorrência já não vem apenas de outra garrafa: pode ser uma cerveja sem álcool, um pronto a beber, um chá gelado, uma bebida funcional ou simplesmente água.