Trump assina decretos que proíbem importação de lácteos, bebidas alcoólicas e motocicletas do Canadá
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na terça-feira decretos que proíbem a importação de uma ampla gama de produtos lácteos, bebidas alcoólicas e motocicletas do Canadá, segundo reportagem de Gavin Bade publicada pelo Zonebourse. São proibições de importação e não tarifas adicionais.
Três grupos de produtos atingidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na terça-feira decretos que proíbem a importação de uma ampla gama de produtos lácteos, bebidas alcoólicas e motocicletas procedentes do Canadá, segundo reportagem de Gavin Bade publicada pelo Zonebourse.
A mesma reportagem descreve as medidas como proibição de importar, e não como cobrança de tarifas adicionais sobre as mercadorias envolvidas.
Os decretos atingem três categorias de consumo, e não os insumos industriais que dominaram os atritos comerciais recentes entre os dois países:
- produtos lácteos, descritos na reportagem como abrangendo diversos itens e não uma única posição tarifária;
- bebidas alcoólicas, categoria que inclui destilados, vinho e cerveja;
- motocicletas, um segmento de produto acabado com número relativamente pequeno de fornecedores.
A informação disponível não detalha as posições tarifárias afetadas, a data de entrada em vigor das proibições, a base legal invocada nos decretos nem a existência de isenções e períodos de transição. São justamente esses pontos que definem quanto do comércio realmente para e quando.
Uma proibição funciona de forma diferente de uma tarifa
O mecanismo é decisivo para quem tem contratos de fornecimento com o Canadá. A tarifa eleva o custo da carga no destino e a diferença é absorvida pelo comprador, pelo vendedor ou pelo consumidor final: o comércio continua, com volume menor e preços maiores. A proibição elimina a operação por completo. Não há preço que faça a mercadoria passar pela alfândega americana, e nem o câmbio nem uma concessão de margem restabelecem o fluxo.
Por isso as proibições chegam às cadeias de fornecimento mais rápido do que as tarifas. Não há como fazer hedge contra elas, e a substituição precisa ser física: outro fornecedor em outro país, ou nada.
Questões imediatas para importadores e exportadores
A primeira é o tratamento das mercadorias já em trânsito ou depositadas em armazéns alfandegados quando os decretos entrarem em vigor. O lácteo é perecível e circula em ciclos curtos, de modo que o corte aplicado a cargas já em rota gera custo de descarte, e não apenas venda perdida. Destilados e motocicletas são estocáveis, o que dá mais fôlego aos distribuidores, mas também significa que os estoques nos Estados Unidos vão esconder a interrupção por algum tempo antes de ela aparecer nas prateleiras e nas concessionárias.
A segunda é contratual. Proibições desse tipo costumam acionar cláusulas de força maior e de impossibilidade jurídica nos contratos de fornecimento, e a divisão do prejuízo entre as partes depende da redação de cada acordo. Processadores, destilarias e fornecedores canadenses de motocicletas voltados ao mercado americano terão de colocar esse volume em outros destinos ou reduzir a produção.
O que acompanhar a seguir
Os marcos principais são o texto publicado dos decretos, com escopo exato e eventuais exceções; uma possível resposta de Ottawa; e a eventual ampliação da lista para novas categorias, o precedente que mais importa para os demais exportadores. Nenhuma reação do governo canadense é mencionada na reportagem disponível. Enquanto os termos completos não forem divulgados, a exposição real de processadores, destilarias, fabricantes de motocicletas e seus distribuidores nos Estados Unidos não pode ser dimensionada com precisão.