Etanol indiano e demanda africana elevam arroz quebrado a 320 dólares por tonelada
O arroz branco indiano 100% quebrado chegou a 320 dólares por tonelada FOB em 2 de outubro, alta de 36 dólares desde o início de março. A indústria doméstica de etanol e os compradores africanos apertaram a oferta apesar das dificuldades nas exportações para a China.
Oferta disponível menor sustenta a alta
O arroz branco indiano 100% quebrado atingiu 320 dólares por tonelada FOB em 2 de outubro, aumento de 36 dólares por tonelada desde o início de março, segundo a ChiniMandi. A publicação atribuiu o avanço à disponibilidade limitada, à demanda contínua de países africanos e às fortes compras da indústria indiana de etanol.
A fraqueza de um importante canal de exportação não criou excedentes no mercado indiano. As dificuldades comerciais com a China limitaram os embarques, mas compradores africanos e produtores de etanol absorveram boa parte do arroz quebrado disponível. Esse equilíbrio sustentou os preços FOB dos exportadores mesmo sem uma recuperação completa da demanda chinesa.
Restrições chinesas alteram o comércio indiano
As exportações indianas de arroz para a China começaram a enfrentar dificuldades em março de 2026, quando a China teria rejeitado um carregamento indiano por preocupações com a presença de material geneticamente modificado. Depois disso, as autoridades chinesas começaram a suspender licenças de fornecedores indianos. Até setembro, cerca de sete exportadores teriam sido afetados.
As restrições interromperam uma rota comercial reaberta pouco antes. A Índia retomou as exportações de arroz branco 100% quebrado em março de 2025, após retirar uma proibição adotada em 2022. Os embarques para a China cresceram de forma expressiva depois da retomada, embora tenham permanecido abaixo dos níveis de 2021 e 2022. Os problemas com licenças, portanto, limitaram um canal em recuperação que ainda não havia voltado à escala anterior.
Outros fornecedores avançam na China
Com a menor disponibilidade de arroz indiano na China, os compradores chineses buscaram outras origens. Myanmar tornou-se o maior fornecedor de arroz da China em 2026, enquanto Vietnã, Tailândia e Paquistão também entregaram quantidades expressivas. A China continuou comprando volumes consideráveis desses fornecedores tradicionais mesmo após o retorno da Índia, obrigando os exportadores indianos a competir com rivais regionais já estabelecidos.
Para o mercado de arroz quebrado, o fator central é a divisão da demanda entre os mercados importadores de alimentos e o uso industrial dentro da Índia. As compras africanas mantêm um canal de exportação, enquanto a demanda por etanol retira grãos do volume disponível para clientes externos. Juntos, esses destinos mantiveram o arroz branco 100% quebrado em 320 dólares por tonelada apesar do acesso reduzido à China. A trajetória futura dependerá da continuidade das compras dos produtores de etanol e dos importadores africanos, além da duração dos obstáculos às licenças dos exportadores indianos no mercado chinês.