Setor espanhol de carne ovina e caprina encolhe em 2026 com consumo 13,3% menor
Entre janeiro e julho de 2026, o abate de ovinos na Espanha caiu 8%, para 3.977.072 animais, e a produção de carne ovina recuou 5,7%, para 54.018 toneladas. As compras domésticas de carne fresca de ovino e caprino caíram 13,3% em base anual, enquanto os preços do cordeiro subiram entre 5,2% e 12,9%. As importações de ovinos vivos avançaram 42,2%.
O setor espanhol de carne ovina e caprina entra no último trimestre de 2026 com menos animais abatidos, produção em queda e recuo de dois dígitos no consumo das famílias, enquanto os preços na origem seguem elevados. Os dados constam do último relatório trimestral do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação e foram divulgados pelo veículo agroalimentar espanhol agroclm.com.
Abate e produção em queda
Entre janeiro e julho foram abatidos na Espanha 3.977.072 ovinos, 8% menos do que no mesmo período do ano anterior. A produção de carne ovina caiu 5,7%, para 54.018 toneladas, confirmando a menor atividade industrial nos sete primeiros meses do exercício.
No caprino a evolução é mais estável. Foram abatidos 501.673 animais, 1% menos, com produção de 4.189 toneladas, queda de 3%. O ovino continua respondendo pela maior parte do volume conjunto, com 54.018 toneladas contra 4.189 toneladas de carne caprina.
Preços do cordeiro seguem altos
Os preços andaram na direção oposta aos volumes. Segundo o agroclm.com, na semana 35 de 2026 todas as categorias de cordeiro eram negociadas acima dos níveis do ano anterior, com altas anuais entre 5,2% e 12,9%. O maior avanço ocorreu nos animais de 10 a 13 quilos.
No caprino, o cabrito fino de 7 a 9 quilos foi cotado a 7,49 euros por quilo vivo, 7,2% acima da semana e do mês anteriores, mas ainda 1,3% abaixo do nível de um ano antes.
Demanda das famílias cai dois dígitos
O indicador mais fraco é a demanda interna. Entre janeiro e junho de 2026, as compras domésticas de carne fresca de ovino e caprino caíram 13,3% em base anual e, no acumulado dos últimos doze meses, a queda chega a 10,5%. É justamente a carne fresca que mostra o pior comportamento nos números do ministério.
O relatório aponta a combinação de produção menor e demanda que encolhe ainda mais rápido como um dos principais desafios do setor, preocupado com a perda contínua de espaço na cesta de compras.
Fluxos comerciais mudam de direção
As exportações espanholas de animais vivos caíram 21,8% entre janeiro e julho, ainda que Argélia e Portugal tenham ampliado as compras. As exportações de carne ovina recuaram de forma mais moderada, 2,1%, com a Argélia como primeiro destino e alta de 17,4%, enquanto as vendas para a França caíram 27,2%.
As importações seguiram em sentido inverso: as compras espanholas de ovinos vivos subiram 42,2% nos mesmos sete meses, em um cenário de menor produção nacional.
No conjunto, os dados desenham menos animais abatidos, produção menor, forte contração do consumo e um mercado que mantém preços altos. A evolução da demanda será a variável decisiva para o setor nos próximos meses.