Espanha detém 68% do comércio mundial de óleo de bagaço de azeitona e 60% da produção
A Espanha concentra 68% do comércio mundial de óleo de bagaço de azeitona e 60% da produção global, com exportações de 326 milhões de euros na campanha 2024/25, segundo o Agronews Castilla y León. A fatia no comércio supera a da produção: o país funciona como polo de transformação e reexportação, e as cotações espanholas servem de referência aos importadores.
Na campanha 2024/25, a Espanha concentrou 68% do comércio mundial de óleo de bagaço de azeitona e 60% da produção global, com exportações avaliadas em 326 milhões de euros, segundo o Agronews Castilla y León. Poucas categorias alimentares são tão concentradas: um único país fornece a maior parte do volume e movimenta uma fatia ainda maior dos embarques que chegam aos compradores internacionais.
Um subproduto com mercado próprio
A matéria-prima é o orujo, a massa húmida de peles, polpa e caroço triturado que fica no lagar depois de separado o azeite. Esse resíduo ainda contém óleo que nem a prensagem nem a centrifugação conseguem retirar. As unidades de extração secam o bagaço, obtêm óleo bruto com solvente e refinam-no; antes do enchimento, o refinado é loteado com azeite virgem, e é isso que permite ao produto final usar a designação de óleo de bagaço de azeitona.
As mesmas unidades vendem o bagaço desengordurado como biomassa, pelo que a margem de uma extratora depende de três variáveis ao mesmo tempo: o preço do óleo, o preço da energia e o volume de bagaço que a campanha de moenda deixar. A produção está presa à colheita de azeitona e não pode crescer à margem dela: uma safra curta reduz na mesma temporada a oferta de óleo de bagaço e a de azeite virgem.
Peso no comércio acima do peso na produção
A parte mais informativa dos dados é a distância entre os dois números. A Espanha produz 60% do óleo de bagaço mundial, mas responde por 68% do comércio — oito pontos percentuais a mais. O país não é apenas origem, mas polo de transformação e reexportação: pelas suas capacidades de refinação, loteamento e enchimento passa mercadoria que depois segue para mercados terceiros.
Concentração dessa ordem dá poder de preço. Sem qualquer fornecedor de escala comparável, as cotações formadas no mercado espanhol tornam-se a referência contra a qual os importadores negoceiam, e as decisões espanholas sobre libertação de existências ditam o ritmo da categoria em todo o mundo. Para os compradores fora da Espanha significa ainda que não há segunda fonte natural: nenhuma origem alternativa tem dimensão para cobrir um défice espanhol.
O que os 326 milhões de euros representam
O Agronews Castilla y León apresenta os 326 milhões de euros como valor exportado na campanha 2024/25. É um dado de valor, não de volume; não há tonelagem indicada, pelo que não se pode deduzir um preço médio de exportação. O óleo de bagaço negocia tradicionalmente abaixo das categorias virgem e virgem extra, o que o coloca noutro campo competitivo: enfrenta os óleos de sementes e o óleo de palma na fritura profissional, na indústria alimentar e em usos não alimentares como sabões e cosmética, e não na prateleira premium do azeite engarrafado.
Esse posicionamento corta dos dois lados. Abre canais de volume que o azeite premium não alcança e, ao mesmo tempo, expõe a categoria à substituição sempre que o desconto face ao girassol ou à palma se estreita.
O que o mercado vigia
Para produtores, transformadores e importadores, as variáveis capazes de mexer com a categoria são poucas e, em geral, observáveis:
- o tamanho da colheita espanhola de azeitona, que define o bagaço disponível para extração;
- o custo da energia na secagem e na extração, a rubrica mais pesada do processamento;
- o diferencial entre o óleo de bagaço e os óleos de sementes e de palma concorrentes na fritura e no uso industrial;
- o ritmo a que os mercados importadores aceitam o óleo de bagaço como produto próprio e não como substituto barato do azeite.