El Niño pode levar o cacau a US$ 10.000 por tonelada e elevar a receita do Peru
Danos causados pelo El Niño em Gana e na Costa do Marfim podem levar o cacau novamente a US$ 10.000 por tonelada, segundo a App Cacao. O Peru prevê exportar mais de US$ 1 bilhão neste ano, embora seus produtores também enfrentem riscos climáticos e logísticos.
Oferta da África Ocidental volta a enfrentar risco climático
O El Niño pode levar o preço internacional do cacau novamente a US$ 10.000 por tonelada se condições climáticas adversas reduzirem a produção de Gana e da Costa do Marfim, segundo Luis Mendoza, gerente da Associação Peruana de Produtores de Cacau, a App Cacao. Os dois países da África Ocidental respondem por mais de 60% da oferta mundial, o que torna suas safras decisivas para os custos de fabricantes de chocolate e processadores em todo o mundo.
Mendoza disse à RPP que o cacau custa atualmente cerca de US$ 6.000 por tonelada, em média, depois de atingir máximas históricas em 2024 e 2025 devido aos problemas de oferta africana. A cotação caiu até US$ 4.000 por tonelada nos primeiros quatro meses de 2026, mas a associação espera condições mais favoráveis durante o restante do ano.
As exportações peruanas de cacau superaram US$ 1,5 bilhão no ano passado, quando a menor produção de Gana e da Costa do Marfim levou os preços internacionais para uma faixa de US$ 6.000 a US$ 10.000 por tonelada. A App Cacao prevê vendas externas superiores a US$ 1 bilhão neste ano. Uma nova alta das cotações elevaria a receita em moeda estrangeira mesmo sem crescimento equivalente do volume embarcado.
Setor exportador peruano pode se beneficiar
Cerca de 85% da produção peruana de cacau é exportada como amêndoa, pasta, pó e outros produtos, deixando agricultores e exportadores fortemente expostos às cotações internacionais. A produção nacional cresce entre 10% e 12% ao ano, impulsionada pela expansão das áreas cultivadas e pelo aumento da demanda externa.
O ministro do Comércio Exterior e Turismo, Berthin Gómez, afirmou que o Peru abastece 70 mercados e é o segundo maior exportador de cacau em amêndoas da América Latina e o sexto do mundo. Em produção, o país ocupa a quarta posição latino-americana, atrás do Equador e do Brasil, enquanto a Colômbia também possui um mercado doméstico relevante. O cacau e o chocolate peruanos já chegam à Europa, aos Estados Unidos e à Ásia.
A China continua sendo uma lacuna importante nessa presença comercial. O Peru pode enviar derivados de cacau e chocolate ao país, mas não cacau em amêndoas, porque o acesso sanitário ainda não foi obtido. Mendoza pediu ao governo que acelere o trabalho fitossanitário, pois a abertura para as amêndoas ampliaria a demanda de um setor dominado por pequenas famílias produtoras de áreas rurais e amazônicas.
Clima e logística também ameaçam a produção peruana
O El Niño não beneficiaria todos os produtores peruanos. Chuvas intensas podem danificar diretamente as lavouras de regiões costeiras do norte, como Piura. Na Amazônia, origem da maior parte do cacau do país, a maior umidade pode favorecer pragas e doenças, enquanto deslizamentos e estradas danificadas podem dificultar o transporte das amêndoas.
Os agricultores que utilizam fertilizantes sintéticos também estão expostos ao aumento dos custos de adubos e combustíveis. Mendoza relacionou esse movimento aos conflitos geopolíticos e às interrupções que afetam o diesel e outros derivados de petróleo. O expressivo segmento peruano de cacau orgânico possui alguma proteção porque depende mais de insumos produzidos pelos próprios agricultores, embora outros produtores continuem vulneráveis.
O Peru busca oportunidades comerciais adicionais no XVII Salão Internacional do Cacau e Chocolate, realizado de 16 a 19 de julho. A PROMPERÚ espera que sua rodada internacional de negócios gere cerca de US$ 10 milhões em acordos. O programa reúne 33 empresas peruanas e 22 companhias internacionais, com compradores da Alemanha, Bélgica, Canadá, Argentina, Itália, Países Baixos, Portugal, França, Áustria, Estados Unidos, Chile e Dinamarca.