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Driscoll’s México evidencia maior integração da cadeia norte-americana de berries

As operações da Driscoll’s no México mostram como México, Estados Unidos e Canadá se tornaram elos complementares de um mesmo sistema de produtos frescos. A produção mexicana está ligada à distribuição e à demanda regionais, enquanto câmbio, custos trabalhistas, riscos climáticos e processos comerciais nos Estados Unidos testam o modelo.

Driscoll’s México evidencia maior integração da cadeia norte-americana de berries

Três mercados e uma cadeia de produtos perecíveis

A economia agroalimentar da América do Norte funciona cada vez mais como um sistema comum de produção e distribuição, e não como três mercados nacionais separados. As operações mexicanas da Driscoll’s ilustram essa dinâmica: a produção de berries no México integra uma cadeia regional que abastece consumidores no México, nos Estados Unidos e no Canadá.

Miguel Ángel Curiel, vice-presidente da Driscoll’s México, descreveu os três países como componentes complementares da mesma cadeia alimentar, especialmente no caso dos produtos perecíveis. Essa complementaridade é decisiva para as berries, que têm vida comercial limitada. Colheita, embalagem, refrigeração, transporte e entrega ao varejo precisam funcionar como um processo transfronteiriço contínuo.

México oferece escala e diversidade

A indústria mexicana inclui morango, framboesa, mirtilo e amora-preta, embora cada mercado apresente dinâmica própria de produção e demanda. Segundo o El Economista, o setor embarca cerca de 600 milhões de quilogramas de frutas e contribuiu com US$ 4 bilhões para a economia agroexportadora mexicana na temporada anterior. A produção também gera 500 milhões de pesos por semana em salários pagos diretamente aos trabalhadores rurais.

A atividade se concentra em regiões produtoras consolidadas. Michoacán responde por mais de 50% da área mexicana de berries, mas Jalisco alcança maior valor de produção por se especializar em framboesa e mirtilo, culturas mais rentáveis, afirmou Curiel ao El Economista. Depois de diminuir mais de 10.000 hectares em quatro anos, a área nacional era estimada entre 48.000 e 50.000 hectares.

A contração representa um ajuste, não uma queda uniforme de todas as categorias. Curiel afirmou que a demanda por morango permaneceu estável apesar de geadas, escassez de água, falta de chuva e doenças das plantas. A framboesa, por outro lado, atravessou uma fase de excesso de oferta depois que os produtores ampliaram o cultivo para atender à demanda pós-pandemia; desde então, o mercado recuperou maior equilíbrio.

Custos e política comercial testam a integração

A estrutura transfronteiriça amplia o acesso a mercados, mas também expõe produtores e distribuidores a riscos financeiros e regulatórios. O El Economista informou que o peso mexicano valorizado reduz a receita dos exportadores em moeda local. Salários maiores e a concorrência por uma força de trabalho agrícola praticamente estagnada também elevam os custos. Seca, doenças, tarifas e outras perturbações climáticas aumentam a pressão.

O morango também passou ao centro de um processo comercial nos Estados Unidos. Produtores da Florida apresentaram uma denúncia de suposto dumping contra exportadores mexicanos, incluindo Driscoll’s e Mainland. O Departamento de Comércio e a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos analisam o caso, segundo o El Economista. Eventuais medidas poderiam alterar custos de compra, programas logísticos e disponibilidade em todo o mercado regional.

Para produtores e varejistas, a questão central é preservar a velocidade e a previsibilidade exigidas pelos alimentos frescos. O México oferece capacidade produtiva e um portfólio diversificado de berries; Estados Unidos e Canadá fornecem grandes redes de distribuição e demanda do consumidor. O desempenho depende dos processos de fronteira, da continuidade da cadeia de frio e de regras comerciais que permitam movimentar a fruta antes da perda de valor.

Análise completa do mercado

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