Diretiva da UE sobre desperdício alimentar inclui a restauração na meta de 30% até 2030
A Diretiva UE 2025/1892 estabelece um corte obrigatório de 30% per capita no desperdício alimentar até 2030 para varejo, distribuição, restauração e famílias, calculado sobre a média anual de 2021-2023. Na Itália, o desperdício doméstico caiu para 554 gramas por pessoa por semana, e os congelados respondem por 2,2% do total medido.
O desperdício alimentar custa à União Europeia mais de 130 bilhões de euros por ano e está associado a cerca de 16% das emissões de gases de efeito estufa do sistema alimentar, segundo o Italia a Tavola. A Diretiva UE 2025/1892 converte esse custo em obrigação vinculante: fixa metas de redução para 2030 e coloca pela primeira vez restaurantes e serviços de alimentação no mesmo perímetro do varejo e das famílias.
Corte obrigatório de 30% até 2030
A diretiva exige uma redução de 30% per capita no desperdício alimentar até 2030, calculada em relação à média anual de 2021-2023. A meta se aplica igualmente ao varejo, à distribuição, à restauração e às famílias, o que torna as cozinhas profissionais parte formal da cadeia de conformidade, e não um ator periférico.
A Itália chega a esse período com números em melhora. O desperdício doméstico caiu em 2026 para 554 gramas por pessoa por semana, 63,9 gramas abaixo do levantamento anterior, informou o Italia a Tavola. O dado cobre apenas as famílias, enquanto o alcance da diretiva abrange toda a cadeia, das casas às cozinhas profissionais.
Congelados em 2,2% do desperdício medido
Os congelados estão entre as categorias de menor incidência no desperdício. A pesquisa Waste Watcher realizada em 2025 para o IIAS, o instituto italiano de alimentos congelados, apurou que, dos 667,4 gramas de comida desperdiçados semanalmente por cada italiano, 14,9 gramas eram produtos congelados — 2,2% do total. A mesma pesquisa registrou desperdício 37,6% inferior ao das verduras frescas.
O levantamento atribui a diferença a três características do produto:
- longa conservação, que elimina a pressão de prazo que leva o produto fresco ao lixo;
- facilidade de porcionamento, com a cozinha retirando apenas a quantidade necessária e guardando o restante;
- ausência ou redução das perdas de preparo, já que o produto chega lavado, limpo e pronto para cozinhar.
“Os produtos congelados se revelam uma ajuda valiosa graças às suas qualidades intrínsecas”, afirma Giorgio Donegani, presidente do IIAS. “As verduras, por exemplo, quando congeladas se conservam por muito tempo, estão disponíveis o ano todo, não geram perdas, já vêm lavadas e limpas, prontas para o cozimento, e são facilmente porcionadas.”
Compras na restauração e a questão da indicação no cardápio
Para restaurantes, refeitórios e outros serviços de alimentação, a programação das compras e a possibilidade de dosar quantidades tornam-se, sob as novas regras, ferramentas de gestão de perdas. O tema pesa especialmente na alimentação coletiva, onde a previsão de refeições e a continuidade do serviço precisam ser conciliadas com os volumes comprados e efetivamente usados.
O IIAS defende ainda uma revisão das regras que disciplinam o uso de congelados na restauração pública e da obrigação de indicar esse uso nos cardápios. O Italia a Tavola ressalta que se trata de posições da associação setorial, e não de mudanças já introduzidas pela legislação europeia.
Estudos sobre retenção de nutrientes
O IIAS liga a questão do desperdício ao valor nutricional e cita dois estudos encomendados, respectivamente, à Sociedade Italiana de Ciência da Alimentação (SISA) e à SSICA, dedicados a produtos pesqueiros e vegetais. A revisão de literatura da SISA analisou 52 estudos, com atenção especial a espécies como bacalhau, merluza, dourada, solha, salmão e robalo, e constatou a estabilidade de componentes como proteínas, lipídios e Ômega 3 durante a conservação.
O estudo da SSICA examinou ervilhas, vagens, brócolis e espinafre, avaliando a capacidade do congelamento rápido de preservar nutrientes e compostos bioativos ao longo do tempo. Juntas, as duas linhas de pesquisa ampliam o conceito de desperdício: não se trata apenas do que vai para o lixo, mas também de quanto valor do alimento se perde antes de chegar ao prato e do quanto as técnicas de conservação podem limitar essa perda.