Déficit do comércio de lácteos do Quirguistão chega a US$ 17,28 milhões
O Quirguistão importou US$ 36,44 milhões em produtos lácteos entre janeiro e julho de 2026, 1,9 vez o valor exportado. O avanço das compras de queijo, coalhada e leite elevou o déficit comercial do setor para US$ 17,28 milhões.
Alta das importações em julho amplia a diferença
O Quirguistão registrou déficit de US$ 17,28 milhões no comércio de produtos lácteos nos primeiros sete meses de 2026, após forte aceleração das importações em julho. Segundo o 24.kg, que citou dados do Comitê Nacional de Estatística, as compras externas somaram US$ 36,44 milhões e 14.560 toneladas entre janeiro e julho. O valor foi 1,9 vez os US$ 19,16 milhões obtidos pelos produtores nacionais com a exportação de 18.208,5 toneladas.
As importações mensais subiram de US$ 4,48 milhões em junho para US$ 7,04 milhões em julho. A maior entrada de queijo, coalhada, leite em pó e leite líquido ampliou o déficit do setor em US$ 4,51 milhões em apenas um mês. As compras de queijo e coalhada cresceram US$ 2,58 milhões na comparação mensal, enquanto as de leite em pó e condensado aumentaram US$ 1,78 milhão.
Queijo e leite lideram o crescimento
Queijo e coalhada foram a maior categoria de lácteos importada entre janeiro e julho, com US$ 13,87 milhões e 3.727,7 toneladas. O valor cresceu 32%, enquanto o volume avançou 50,3%, indicando expansão da oferta física mais rápida do que a dos gastos. Rússia e Belarus foram os principais fornecedores. A Ucrânia também entrou no grupo dos cinco maiores abastecedores graças às remessas de queijo, deslocando o Uzbequistão.
As importações de leite em pó, leite condensado e creme concentrado totalizaram US$ 7,72 milhões e 2.871 toneladas, principalmente de Belarus, Rússia e Cazaquistão. As compras de leite e creme não concentrados, sobretudo da Rússia, aumentaram 91,6% em valor e 64,9% em volume, para US$ 5,83 milhões e 3.224,2 toneladas. As importações de leitelho, iogurte e kefir alcançaram US$ 6,88 milhões e 3.857,6 toneladas, com altas de 40,3% e 15,5%, respectivamente.
O soro de leite apresentou outra relação entre preço e volume: o valor importado cresceu 40,8%, embora a quantidade tenha caído 6,2%. O Quirguistão comprou 700,4 toneladas da Rússia e de Belarus por US$ 1,33 milhão. As importações de manteiga de Belarus e do Cazaquistão somaram US$ 815,3 mil e 179,1 toneladas. Belarus fortaleceu sua posição geral, elevando sua participação no mercado quirguiz de importação de lácteos de 34,8% em junho para 36,5% no fim de julho.
Exportações ficam concentradas nos mercados vizinhos
O Cazaquistão continuou sendo o principal destino dos lácteos do Quirguistão, com 81,3% das vendas, ante 81,8% no primeiro semestre. Leitelho, iogurte e kefir formaram o maior grupo exportador em valor, com US$ 5,85 milhões e 6.662,4 toneladas. O volume cresceu 8% na comparação anual, enquanto os preços recuaram 0,2%. Cazaquistão e Uzbequistão foram os principais compradores.
As exportações de leite e creme, também direcionadas sobretudo ao Cazaquistão e ao Uzbequistão, alcançaram 7.551,4 toneladas e US$ 5,24 milhões. O resultado representou crescimento de 20,2% em valor e 18,6% em volume. As categorias de maior valor tiveram desempenho mais fraco: as exportações de queijo e coalhada caíram 31,6% ante o ano anterior, para 1.413,4 toneladas e US$ 4,91 milhões. Os embarques de manteiga recuaram 96% em valor e 95,1% em volume, para US$ 784,2 mil e 150,1 toneladas.
Rússia paralisa compras e Uzbequistão ganha espaço
As exportações quirguizes de lácteos para a Rússia pararam totalmente em julho, reduzindo a participação russa nas vendas externas de 4,5% para 3,9%. Os embarques ao Uzbequistão aumentaram no mês, elevando sua fatia de 12,6% para 13,8%. Os números mostram um desequilíbrio crescente: os produtores quirguizes ampliam as vendas de leite, creme e fermentados aos países vizinhos, mas a queda das exportações de queijo e manteiga coincide com o rápido crescimento das importações das mesmas categorias. Isso intensifica a concorrência dos fornecedores russos, belarussos e cazaques no mercado interno.