Coreia do Sul verifica importações após caso de alface-de-caule tingida na China
Imagens vindas da China mostram alface-de-caule mergulhada em tambores com um líquido não identificado que, segundo a imprensa coreana, é um corante proibido em hortaliças frescas. As autoridades sul-coreanas verificam se o produto afetado foi importado. O caso segue a polêmica do repolho tratado com formaldeído.
Um corante proibido em hortaliças frescas
A alface-de-caule chinesa, hortaliça de talo grosso vendida na Coreia do Sul com o nome de gungchae, está no centro de uma polêmica de segurança alimentar depois que imagens vindas da China mostraram os talos mergulhados em tambores com um líquido não identificado. Segundo a imprensa coreana, trata-se de um corante cujo uso é proibido em hortaliças frescas, aplicado aos talos para dar-lhes um verde mais intenso e uniforme.
O tratamento descrito ocorre depois da colheita, na etapa de manuseio e embalagem, e não no campo. A distinção é decisiva do ponto de vista comercial. Um corante aplicado à superfície do talo é invisível para um comprador que trabalha com fotografia e ficha de especificações, e não deixa rastro no histórico agronômico do lote. A cor é um dos principais sinais de qualidade no comércio de hortaliças e é também o atributo que primeiro se deteriora quando o produto é cortado, encaixotado e percorre uma longa cadeia de frio. Tudo o que estabiliza a cor eleva o preço que um lote consegue alcançar e amplia a janela em que ele pode ser vendido.
O segundo caso de hortaliças após o repolho com formaldeído
As acusações sobre a alface tingida vêm depois da polêmica do repolho chinês tratado com formaldeído, substância classificada como cancerígeno do grupo 1. Os dois casos seguem a mesma lógica comercial: um produto químico barato aplicado após a colheita para preservar ou melhorar a aparência de uma hortaliça perecível durante armazenamento e transporte. Dois episódios em curto intervalo colocam a etapa de pós-colheita da cadeia hortícola chinesa, e não o cultivo em si, no centro da discussão de segurança nos mercados importadores.
Seul verifica se o produto chegou ao mercado
As autoridades sul-coreanas estão verificando se alface-de-caule afetada por essa prática foi importada pelo país. Esse trabalho costuma significar cruzar os locais de produção e processamento apontados nas reportagens com declarações aduaneiras, registros de importadores e processos de inspeção de fronteira, e depois decidir se é necessário amostrar o produto já em circulação. Não foi anunciada nenhuma confirmação de que o produto afetado entrou na Coreia do Sul, nem qualquer conclusão que descarte essa hipótese. Vários pontos centrais para qualquer avaliação comercial seguem em aberto:
- quais locais chineses de produção e processamento estão envolvidos
- qual corante foi usado e em que concentração
- se houve embarques para a Coreia do Sul e em que volume
- se o produto circulou como alface fresca, desidratada ou processada
Onde se concentra a exposição dos importadores
A alface-de-caule é um item de nicho no mercado coreano, e não um produto básico, sendo usada com frequência em forma desidratada e preparada, na qual a matéria-prima já não é visível para o consumidor final. Essa estrutura concentra a exposição em importadores e processadores. Eles compram por especificação escrita e pela confiança depositada no manuseio pós-colheita do fornecedor, e um corante aplicado a montante não é detectado por uma inspeção visual comum no recebimento.
A consequência imediata para o comércio é processual. Os importadores devem esperar controles mais rigorosos nos lotes dessa categoria, pedidos do varejo e do food service por documentação de origem e de tratamento pós-colheita, e pressão para deslocar pedidos a fornecedores capazes de comprovar rastreabilidade. O custo mais duradouro recai sobre os exportadores chineses. O dano reputacional atinge um mercado em que o caso anterior de tratamento químico ainda está recente e no qual os compradores respondem a incidentes repetidos trocando de origem, e não renegociando condições.