A colheita europeia de batata cai até 30% após corte de área e seca
As colheitas europeias de batata recuam até 20%, com picos de 30% em algumas zonas, depois de as explorações terem cortado em média 10 pontos percentuais da base produtiva após o colapso de preços de 2025 e de terem enfrentado calor e seca. Em Itália os rendimentos estão 7% a 21% abaixo dos últimos cinco anos, enquanto o Trentino mantém volume e qualidade: a Copag espera superar 4.500 toneladas.
O corte de área coincidiu com uma campanha seca
Os produtores europeus de batata fecham a campanha com colheitas a recuar até 20% e preços em forte subida, segundo o ildolomiti.it, que descreve uma crise produtiva e comercial com poucos precedentes na Europa e em boa parte de Itália. Em algumas zonas a queda chegou a 30%.
Parte dessa contração foi deliberada. Depois do excedente produtivo de 2025 e do colapso de preços que se seguiu, as explorações europeias reduziram a base produtiva em média 10 pontos percentuais. O corte retirou hectares da produção e apertou a oferta antes mesmo do início da campanha.
O clima fez o resto. A escassa precipitação de inverno e primavera, as temperaturas elevadas e um longo período de seca colocaram os grandes países produtores em dificuldades, com França, Alemanha, Países Baixos, Bélgica e Grécia afetados. O ildolomiti.it atribui o défice sobretudo aos efeitos das alterações climáticas nas condições de cultivo deste ano.
Rendimentos italianos 7% a 21% abaixo dos cinco anos
Itália registou rendimentos médios mais baixos, com uma queda entre 7% e 21% face aos últimos cinco anos. A menor área semeada somada a um rendimento por hectare mais fraco é o mecanismo por trás do salto de preços visível nos mercados europeus: a oferta aperta enquanto a procura do fresco e da indústria não recuou ao mesmo ritmo.
O Trentino mantém volume e qualidade
O Trentino é a exceção no quadro italiano, sem quedas relevantes de produção. Na zona do Lomaso a produção foi boa, segundo Mara Baldo, presidente da Cia-Agricoltori Italiani del Trentino, que assinala que parte dos hectares ocupados com milho na campanha anterior passou para batata. Descreve a batata como uma cultura de baixo custo capaz de dar uma remuneração razoável, ainda que os resultados não sejam sempre ótimos porque é um produto exigente.
A Copag, cooperativa de produtores agrícolas das Giudicarie com cerca de noventa associados, fez um balanço preliminar positivo com a colheita já na fase final. O diretor, Luca Armanini, afirmou que a qualidade é boa nas variedades cultivadas pelas explorações associadas e que a quantidade está confirmada, esperando a cooperativa superar 4.500 toneladas de batata. As contas definitivas serão fechadas mais tarde.
Quanto a variedades, Armanini indicou que a Cicero continua a ser a batata de polpa amarela mais cultivada, enquanto Camelia e Levante ganham terreno campanha após campanha e, na sua opinião, devem igualar a Cicero dentro de alguns anos. Entre as vermelhas, a Alouette é a mais adaptada ao território, e a Kennebec, de polpa branca, mantém uma presença reduzida, quase de nicho.
A altitude explica grande parte desta resistência. A batata precisa de calor mas tende a parar acima dos 25 graus; numa zona de montanha com humidade regular, o desenvolvimento vegetativo e a maturação do tubérculo foram apoiados em vez de travados.
Granizo, entregas atrasadas e preços incertos
No val di Gresta, a horta biológica do Trentino, o golpe foi amortecido mas não evitado. Gianni Carotta, presidente da câmara de Ronzo Chienis e presidente do consórcio hortofrutícola do val di Gresta, explicou que o mau tempo e em particular uma violenta queda de granizo no mês passado criaram dificuldades sérias, embora os danos tenham sido contidos o mais possível. As temperaturas altas do verão ajudaram a maturação do tubérculo naquela altitude, e a gestão da água e os sistemas de rega permitiram intervir de forma pontual contra a seca durante a fase vegetativa.
O custo comercial do granizo está no calendário. A cultura teve de completar um novo ciclo vegetativo para recuperar e concluir a maturação, chegando ao mercado cerca de um mês mais tarde do que inicialmente previsto. Carotta disse que houve campanhas melhores, mas que o resultado é aceitável face às condições do verão. Terminada a colheita, a Festa da batata do Lomaso está marcada para sábado, 24, e domingo, 25 de outubro.
Os sinais do mercado são descritos como bons. A Copag espera uma melhoria da rentabilidade, embora sublinhe que persistem muitas incertezas.