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Chuvas podem deixar recorde de 35 milhões de toneladas de cana sem processamento no Brasil

Cerca de 35 milhões de toneladas de cana da safra 2026/27 do Centro-Sul podem ficar para processamento no ciclo seguinte, estima a Datagro. A queda do ATR, o tombamento e o aumento das impurezas podem limitar a produção de açúcar e direcionar mais matéria-prima ao etanol.

Chuvas podem deixar recorde de 35 milhões de toneladas de cana sem processamento no Brasil

Volume recorde de cana bisada ameaça a safra 2026/27

O excesso de chuvas no Centro-Sul do Brasil pode deixar cerca de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar da safra 2026/27 para processamento no ciclo seguinte, segundo o presidente da Datagro, Plinio Nastari. O volume superaria o recorde anterior de 24 milhões de toneladas registrado em 2015/16 e deixaria as usinas com uma quantidade excepcional de matéria-prima ainda no campo.

O clima dificulta a colheita e também compromete a qualidade da cana, informou a NovaCana. A umidade favorece o crescimento da biomassa, mas o excesso de água reduz o açúcar total recuperável, ou ATR. Nastari afirmou que os preços reagiram, porém as usinas não conseguem produzir todo o açúcar que gostariam. O problema envolve tanto o volume que chega às unidades quanto a quantidade de açúcar comercializável recuperada de cada tonelada.

Tombamento e impurezas reduzem a eficiência industrial

Em condições úmidas, a cana fica mais pesada e tomba com maior frequência. A matéria-prima tombada dificulta a colheita mecanizada porque as máquinas não conseguem realizar adequadamente o desponte. Mais folhas e outros resíduos vegetais acabam transportados às usinas, elevando a impureza vegetal e reduzindo a eficiência do processamento.

Os colmos tombados também podem criar raízes, fazendo com que as colhedoras levem mais terra junto com a cana. Nastari explicou que a combinação de impurezas vegetais e minerais diminui o rendimento industrial e dificulta a fabricação de açúcar. A alta umidade ainda favorece pragas como a cigarrinha-da-raiz. As perfurações provocadas pelo inseto podem facilitar a ação de bactérias e fungos, ampliando o risco de perda de qualidade.

Moagem pode avançar até março e favorecer o etanol

A moagem no Centro-Sul normalmente termina em novembro, mas a Datagro avalia que a campanha 2026/27 pode avançar até o fim de fevereiro ou o início de março. Esse período também pode registrar maior umidade, agravando dificuldades de acesso ao campo, qualidade da matéria-prima e operação industrial. A cana mantida no campo por mais tempo também disputará capacidade com as necessidades operacionais do próximo ciclo.

Essas restrições podem alterar o mix de produção. Nastari disse que parte da cana poderá ser destinada ao etanol em vez do açúcar, pois a umidade dificulta a cristalização necessária à fabricação do adoçante. Para produtores, tradings e compradores, o açúcar efetivamente recuperável será mais relevante do que o volume total de biomassa. Uma safra volumosa ainda pode produzir menos açúcar do que o esperado se o ATR cair e as impurezas aumentarem. As destilarias podem absorver parte da matéria-prima atrasada, mas o volume recorde de cana bisada prolongará a pressão operacional sobre as usinas e aumentará a incerteza sobre a oferta brasileira de açúcar.

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