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Chile mira Vietnã e Indonésia enquanto a China concentra 77% de suas frutas enviadas à Ásia

A China concentra 77% dos embarques de frutas chilenas para a Ásia, enquanto todo o Sudeste Asiático responde por apenas 0,5% do volume exportado pelo país. Iván Marambio, da Frutas de Chile, aponta os novos protocolos fitossanitários com Vietnã e Indonésia como passos decisivos; hoje só a cereja tem acesso amplo ao mercado vietnamita.

Chile mira Vietnã e Indonésia enquanto a China concentra 77% de suas frutas enviadas à Ásia

A indústria de frutas do Chile mira Vietnã e Indonésia como seus principais novos destinos na Ásia, continente em que a China concentra hoje 77% dos embarques de frutas do país. Iván Marambio, representante da Frutas de Chile, apresentou a estratégia na feira Fruit Logistica na Ásia, em declarações divulgadas pelo FreshPlaza.

China ainda concentra 77% dos embarques para a Ásia

“Diversificar mercados está no DNA do Chile, e é isso que fazemos no setor de frutas”, disse Marambio. Mesmo assim, o trabalho na China não está sendo reduzido: ele vai além das maiores metrópoles e avança para o que o setor chama de “China regional”, ou seja, cidades de nível 2 e 3, além das cidades de nível 1, onde já existe uma base de consumidores consolidada.

Marambio descreveu o comprador asiático como exigente e bem informado. “É um consumidor que sabe o que quer e que não aceita nada abaixo da melhor qualidade”, afirmou, acrescentando que esse mesmo comprador demanda constantemente inovação, novas variedades e novas embalagens. O perfil define a régua comercial para qualquer exportador que entre na região: a condição de entrada é qualidade e renovação varietal, não preço.

Sudeste Asiático: 0,5% do volume exportado

Apesar do peso da Ásia no planejamento comercial chileno, o volume que chega ao Sudeste Asiático segue marginal. “Apenas 0,5% do volume que o Chile exporta vai para o Sudeste Asiático”, disse Marambio, que apontou os protocolos fitossanitários assinados recentemente com Vietnã e Indonésia como passos decisivos para reverter esse número.

Os dois números dimensionam a tarefa. Uma concentração de 77% na China convive com uma participação de 0,5% para todo o Sudeste Asiático, o que faz da região uma base baixa e não um canal consolidado. Para os exportadores, a implicação prática é que o trabalho de acesso no Vietnã e na Indonésia significa construir volume quase a partir do zero, e não redirecionar fluxos que já existem.

Acesso liberado espécie por espécie

A entrada nesses mercados avança produto por produto, e não para toda a cesta. No Vietnã, a cereja tem o acesso mais amplo, reforçado recentemente pela aprovação de um protocolo para embarques por via aérea, enquanto kiwis e mirtilos ainda não contam com acesso algum. A Indonésia assinou um protocolo que reconhece o Chile como país livre da mosca das frutas, o que simplifica os processos de exportação.

  • Vietnã: a cereja tem o acesso mais amplo, agora com protocolo aéreo aprovado.
  • Vietnã: kiwis e mirtilos seguem sem acesso ao mercado.
  • Indonésia: Chile reconhecido como livre da mosca das frutas, com o tratamento de frio reclassificado.

“O tratamento de frio é feito de maneira diferente. Já não é uma exigência quarentenária, e sim apenas uma exigência de qualidade e de condição da fruta”, explicou Marambio sobre o protocolo indonésio, ligando a mudança a menos burocracia e menores custos logísticos. A distinção pesa na operação: um tratamento quarentenário precisa ser certificado e documentado antes do embarque, enquanto usar o frio como ferramenta de condição deixa a decisão nas mãos do exportador.

O Vietnã soma ainda um fator de calendário. No ano que vem o país sediará o CEO Summit da APEC, encontro que reúne líderes das 21 economias do fórum e que a indústria chilena espera aproveitar para divulgar seus produtos.

Clima e portos no início da temporada

Marambio alertou para os efeitos do fenômeno El Niño e para o aumento de tufões na região, variáveis que afetam tanto a produção no campo quanto a logística portuária. “Há uma disrupção climática que afeta a produção de frutas”, indicou, acrescentando que a abertura e a condição dos portos são fator de acompanhamento constante pelo setor.

A temporada de exportação inicia seu ciclo com citros, abacates e mirtilos, seguidos por cerejas, frutas de caroço e uva de mesa. Essa sequência coloca a cereja — o produto com maior acesso no Vietnã e um novo protocolo aéreo — no meio da campanha, e não em sua abertura. A qualidade segue como eixo central do posicionamento do setor nos mercados asiáticos.

Análise completa do mercado

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