Exportações de lácteos do Cazaquistão chegam a 34.700 toneladas e US$ 66,4 milhões
O Cazaquistão exportou 34.700 toneladas de produtos lácteos no valor de US$ 66,4 milhões, com alta de 16,6% na receita de exportação, segundo dados apresentados no evento Cheese Open e divulgados pelo dairynews.today. Os fermentados lideraram com 17.900 toneladas e US$ 23,6 milhões, enquanto o leite condensado e em pó cresceu 2,2 vezes.
O Cazaquistão exportou 34.700 toneladas de produtos lácteos no valor de US$ 66,4 milhões, com alta de 16,6% na receita de exportação do setor, segundo dados apresentados no evento Cheese Open e divulgados pelo dairynews.today. Os números foram apresentados por um representante do grupo de empresas Kizelmann, que afirmou que os mercados da União Econômica Eurasiática e da Ásia Central continuam sendo os principais destinos dos lácteos cazaques.
O crescimento concentrou-se nas categorias processadas. Os três grupos de produtos detalhados na apresentação respondem por 25.900 toneladas e US$ 39,6 milhões do total informado, e o restante — que inclui queijos e manteiga — não foi aberto separadamente.
Os fermentados são a maior categoria de exportação
Os lácteos fermentados formaram a maior linha de exportação. Os embarques de iogurte, kefir e riajenka chegaram a 17.900 toneladas no valor de US$ 23,6 milhões, com alta de 24,9% no valor da categoria, informou o dairynews.today. Isso equivale a cerca de US$ 1.320 por tonelada.
- Produtos lácteos fermentados: 17.900 toneladas, US$ 23,6 milhões, valor 24,9% maior
- Leite condensado e em pó: 2.900 toneladas, US$ 12,1 milhões, alta de 2,2 vezes
- Leite fluido e creme: 5.100 toneladas, US$ 3,9 milhões, alta de 1,8 vez
O leite condensado e em pó é, de longe, a linha de maior valor por unidade de peso, a cerca de US$ 4.170 por tonelada, ante aproximadamente US$ 765 por tonelada do leite fluido e do creme. Essa diferença explica por que os produtos secos respondem por 18% do valor exportado com 8% do volume.
A Rússia absorve a maior parte do volume
Rússia, Uzbequistão, Azerbaijão e Quirguistão foram citados como os principais compradores de lácteos fermentados cazaques. Geórgia, Mongólia, Armênia e China aparecem como novos destinos da categoria.
Em leite condensado e em pó, a Rússia recebeu 1.900 toneladas no valor de US$ 8,1 milhões e o Uzbequistão, 607 toneladas por US$ 2 milhões, com embarques adicionais para Quirguistão e Tadjiquistão. Das 5.100 toneladas de leite fluido e creme, 3.600 toneladas foram para a Rússia, enquanto os volumes para Uzbequistão e Tadjiquistão também aumentaram.
Comentários setoriais publicados pelo dairynews.today apontam os custos de produção relativamente baixos da Ásia Central, sobretudo na agricultura e na produção de forragem, como base para novo crescimento das exportações, e destacam a vizinha China, onde a demanda por lácteos segue alta, como o mercado com maior potencial de absorver uma produção regional ampliada.
O processamento interno continua sendo o gargalo
Participantes do setor citados pelo dairynews.today descrevem uma distância crescente entre a produção de leite cru e a capacidade de processamento. As fazendas crescem mais rápido que as fábricas, e as indústrias de processamento operam atualmente abaixo da capacidade. Em algum momento as usinas não conseguirão receber todo o leite, e surgirá o incentivo para reduzir o preço de compra. As fábricas já baixaram o preço de compra do leite de 250 para 160 tenge e, nas regiões de Pavlodar e do Cazaquistão Oriental, suspenderam totalmente as compras durante o verão, adquirindo leite em pó a 1.000 tenge por quilo. Os produtores também mencionam a competição de preços cada vez mais forte de fornecedores russos e bielorrussos no mercado interno.
Os custos de insumos também sobem. A proibição imposta pelo regulador cazaque à importação de bovinos da Hungria fechou a rota terrestre para gado reprodutor vindo da União Europeia em trânsito pela Rússia, obrigando as fazendas a recorrer ao transporte aéreo e encarecendo os animais importados. No mesmo material é citado um projeto de fábrica com capacidade de processar 300 toneladas de leite por dia e produzir de 60 a 100 toneladas de queijo por mês, escala que poucas plantas alcançam hoje no Cazaquistão. A apresentação no Cheese Open concluiu que o avanço das exportações dependerá da capacidade das empresas de fabricar produtos de maior valor agregado, garantir qualidade estável e adaptar o mix às exigências dos mercados de destino.