Castela e Leão perde explorações leiteiras com queda de preços e alta de custos
Castela e Leão perdeu 17 produtores de leite no último ano, enquanto o preço médio ao produtor caiu para € 0,475 por litro em junho. A UCCL alerta que a alta do diesel, das forragens e das rações ameaça mais explorações.
Preço ao produtor cai para € 0,475 por litro
A pecuária leiteira de Castela e Leão enfrenta nova pressão financeira, com queda nos preços pagos aos produtores e aumento dos custos de produção. Segundo o El Español, os pecuaristas da região receberam em junho uma média de € 0,475 por litro de leite de vaca, 1,3% menos que em maio e 6% abaixo do mesmo mês do ano anterior. No primeiro semestre de 2026, o preço regional recuou 15,3%.
A queda acompanha uma tendência nacional. O preço médio do leite na Espanha ficou em € 0,469 por litro em junho e havia recuado em todos os meses desde dezembro de 2025, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação citados pelo El Español. Castela e Leão ainda manteve um pequeno prêmio sobre a média nacional, mas a redução mensal contínua enfraquece a receita de fazendas que já enfrentam despesas maiores.
Dezessete produtores deixam a atividade
Castela e Leão perdeu 17 produtores de leite durante o último ano. Dados da UCCL também mostram que 17 produtores encerraram a atividade nos primeiros seis meses de 2026, reduzindo para 589 o número de pecuaristas que entregaram leite em junho. Os dois indicadores evidenciam a continuidade da contração do setor regional.
O mesmo movimento ocorre no restante da Espanha. Em junho de 2026, 8.513 produtores entregaram leite, quase 6% menos que um ano antes. A redução prolonga a queda de longo prazo no número de fazendas leiteiras ativas e aumenta a preocupação com as áreas rurais, onde a pecuária sustenta fornecedores, empresas de serviços e outros negócios locais.
Diesel, forragens e preços do gado comprimem margens
A queda do preço do leite coincide com fortes aumentos em diversos custos operacionais. O diesel estava cerca de 40% mais caro que em janeiro, enquanto os preços das forragens e da palha haviam subido até 35% em algumas áreas. As rações também apresentavam tendência de alta. Esses aumentos limitam a capacidade das fazendas de absorver novas reduções no preço do leite.
A receita com a venda de animais também enfraqueceu. Os preços do gado de corte e dos bezerros da raça frísia estavam cerca de 15% abaixo dos níveis do início do ano, retirando outra fonte de renda das explorações leiteiras. A UCCL afirma que os produtores vêm perdendo rentabilidade há seis meses e voltaram a arcar com custos que não conseguem repassar aos demais elos da cadeia.
UCCL questiona a distribuição das margens
A UCCL observa que os preços do leite nos supermercados permaneceram praticamente estáveis, enquanto os pagamentos aos produtores recuaram. A organização agrícola considera que existe um desequilíbrio na cadeia de valor e acusa indústrias e varejistas de melhorar suas margens enquanto os pecuaristas perdem dinheiro. David Alonso, responsável pelo setor de gado leiteiro na UCCL, afirmou que indústria e distribuição estavam impedindo o funcionamento correto da formação dos preços do leite.
A organização pede medidas que garantam a rentabilidade das fazendas e evitem novos fechamentos. Sem recuperação do preço ao produtor ou alívio nos custos dos insumos, as explorações restantes continuarão sob pressão. Para processadores e varejistas, uma redução persistente da base regional de fornecedores pode concentrar a coleta de leite e enfraquecer a economia pecuária nas áreas rurais de Castela e Leão.