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Carne suína barata e oferta elevada ampliam pressão sobre o frango no Brasil

A oferta brasileira de carne de frango atingiu 2,25 milhões de toneladas no segundo trimestre de 2026, enquanto os preços seguiram trajetória de queda. A carne suína em níveis historicamente baixos intensifica a concorrência e pressiona as margens do setor avícola.

Carne suína barata e oferta elevada ampliam pressão sobre o frango no Brasil

Oferta de frango chega a 2,25 milhões de toneladas

O mercado interno brasileiro enfrenta pressão crescente sobre os preços do frango, diante da combinação entre oferta avícola abundante e carne suína historicamente barata. A disponibilidade de carne de frango alcançou 2,25 milhões de toneladas no segundo trimestre de 2026, o maior volume desde os três últimos meses de 2025, segundo dados publicados pelo VG Notícias.

Os números, divulgados em 28 de agosto pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), abrangem o período de abril a junho. A disponibilidade elevada já colocou os preços do frango em trajetória de queda, dificultando o ambiente comercial de produtores e processadores que atendem ao mercado brasileiro.

O volume é especialmente relevante porque os vendedores de aves não concorrem apenas entre si. A carne suína está sendo negociada em níveis historicamente baixos, afirmaram os pesquisadores do Cepea, reduzindo a diferença de preço entre as duas proteínas. Com isso, o frango perde competitividade relativa e encontra mais dificuldade para ser comercializado no mercado interno.

Concorrência suína agrava excesso de aves

A disputa de preços importa porque carne suína e frango atendem consumidores e compradores sensíveis a custos. Quando a carne suína fica excepcionalmente barata, varejistas, empresas de alimentação e famílias ganham um incentivo maior para substituir o frango. Com a oferta avícola já elevada, essa troca limita a capacidade dos vendedores de sustentar preços ou repassar custos aos clientes.

O desequilíbrio atual também ocorre depois das dificuldades enfrentadas pelas exportações avícolas brasileiras em 2025. Restrições foram impostas após a confirmação de influenza aviária em uma granja comercial no país. Como os exportadores tiveram problemas para embarcar o produto, parte da produção originalmente destinada a compradores externos permaneceu no Brasil e aumentou a disponibilidade doméstica.

O VG Notícias não informa quanto da produção exportável foi redirecionado ao mercado local nem apresenta estimativas atuais de margens. Ainda assim, a combinação entre produto retido, produção persistentemente alta e uma proteína concorrente mais barata indica pressão em toda a cadeia avícola. Os produtores recebem preços menores, enquanto processadores e distribuidores precisam administrar volumes maiores em um mercado no qual os compradores têm mais poder de negociação.

Consumo de fim de ano traz novo desafio

A produção de frango deve permanecer elevada nos próximos meses. O cenário pode piorar no fim do ano, quando os cortes tradicionais costumam perder espaço para as aves natalinas e a carne suína. Essa mudança no consumo pode enfraquecer a demanda por produtos avícolas convencionais justamente quando o setor continua lidando com uma oferta expressiva.

A pressão não será necessariamente distribuída de forma uniforme. Empresas com acesso a mercados de exportação, portfólios diversificados ou linhas sazonais de aves terão mais alternativas para redirecionar a produção. Negócios concentrados em cortes convencionais e vendas domésticas ficam mais expostos à concorrência de preços da carne suína e à mudança das compras no fim do ano.

Para o setor brasileiro de carnes, o ponto central é a interação entre oferta e substituição. Um mercado com 2,25 milhões de toneladas de frango disponíveis em um trimestre tem pouco espaço para absorver uma nova fraqueza da demanda sem pressão adicional sobre os preços. Se a carne suína continuar competitiva e a produção avícola permanecer alta, as condições comerciais dos fornecedores de frango poderão piorar, embora consumidores e compradores se beneficiem de maior escolha e de proteínas mais baratas.

Análise completa do mercado

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