Carne importada barata e ração cara pressionam a pecuária do Vietnã
O Vietnã importou 494.300 toneladas de carnes e produtos cárneos por cerca de US$ 1,46 bilhão no primeiro semestre de 2026. Importações mais baratas, ração cara e queda do preço do suíno reduzem as margens dos produtores locais.
Valor das importações aumenta 36,4%
O Vietnã importou 494.300 toneladas de carnes e produtos cárneos por cerca de US$ 1,46 bilhão nos primeiros seis meses de 2026, segundo dados aduaneiros preliminares divulgados pela BBC Vietnamese. Em relação ao mesmo período de 2025, o volume cresceu 9,6% e o valor avançou 36,4%, indicando também aumento do custo médio dos produtos importados.
As compras aceleraram no segundo trimestre. O Vietnã recebeu 271.100 toneladas avaliadas em US$ 810,1 milhões, com alta de 21,5% no volume ante o primeiro trimestre e de 14,4% ante o segundo trimestre de 2025. As principais categorias incluíram produtos avícolas, miúdos comestíveis de suínos, bovinos e aves, carne suína congelada e carne bovina congelada. Índia, Estados Unidos, Brasil, Austrália e Espanha foram os principais fornecedores, e os embarques dos cinco mercados cresceram na comparação anual.
Coxa barata domina as compras de frango
A Associação de Avicultura do Vietnã estimou que o país importou quase 200.000 toneladas de frango por cerca de US$ 200 milhões no primeiro semestre, principalmente coxas baratas dos Estados Unidos. As coxas congeladas representaram aproximadamente 71,5% das importações de frango, ou 130.000–140.000 toneladas. As asas responderam por cerca de 12%, equivalentes a 22.000–25.000 toneladas, enquanto pés e outros subprodutos corresponderam a aproximadamente 8,7%, ou 16.000–18.000 toneladas.
Os Estados Unidos forneceram 115.000–120.000 toneladas, cerca de 61,8% do total. A União Europeia veio em seguida, com 28.000–30.000 toneladas, principalmente da Polônia, enquanto o Brasil enviou 24.000–26.000 toneladas. Esses produtos custavam menos que as alternativas domésticas e elevaram a pressão competitiva sobre granjas e processadores vietnamitas que já enfrentavam altos custos de alimentação animal.
Preço do suíno cai com demanda mais fraca
A sazonalidade agravou o quadro. O mercado entrou no sétimo mês lunar, período em que muitas famílias vietnamitas adotam alimentação vegetariana, reduzindo o consumo de carne. O Thanh Niên informou que os preços do suíno vivo caíram no norte, no centro e no sul do país desde o início de agosto.
Em 1º de agosto, os preços nacionais variavam de 60.000 a 63.000 dongs por quilograma. Até 17 de agosto, haviam recuado para 56.000–58.000 dongs em muitas localidades, com algumas áreas do centro e do sul registrando apenas 56.000 dongs. Empresas pecuárias confirmaram que esse foi o menor nível desde o início de 2026, estreitando ainda mais as margens dos produtores.
Exportações permanecem pequenas diante das importações
O desequilíbrio comercial continua expressivo. O Vietnã exportou apenas 9.300 toneladas de carne por US$ 62,73 milhões no primeiro semestre de 2026, diante de importações de 494.300 toneladas. A Avinews classificou a situação como uma contradição para um país com produção doméstica relevante, mas ainda dependente de importações e com exportações muito limitadas.
Líderes do setor alertaram que a combinação de ração cara e preços de venda baixos pode levar as granjas ao prejuízo caso a produtividade não melhore de forma significativa. Especialistas vietnamitas citados pelo VnExpress recomendaram gestão profissional das propriedades, maior prevenção de doenças e biossegurança, controle de custos e melhor conversão alimentar. A nutrição também deve ser adaptada às condições locais e ao ciclo de vida dos animais. Desenvolver produtos de maior valor agregado para exportação oferece outra alternativa, mas a diferença atual entre os volumes importados e exportados mostra o tamanho do desafio competitivo.